Coimbra: uma cidade velha ou antiga?

Coimbra

A cidade de Coimbra não me conquistou por completo. Gostei, aproveitei e apreciei cada vista que a cidade me proporcionou. Eram belas paisagens, de uma cidade vista de longe e também do alto. Estávamos diante de uma antiga cidade, com um rico valor histórico.

Enquanto o Brasil ainda nem existia, em 1290, Coimbra inaugurava a sua primeira universidade e tinha um importante papel para o seu país, a cidade era capital de Portugal (entre 1139 e 1256).

Hoje, conhecida como “Cidade do conhecimento”, ganha esse simpático apelido, por ter  uma das mais antigas universidades de Portugal e da Europa. Tão antiga e tão importante, foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Foi andando pelas ruas de pedra e perdendo o fôlego nas ladeiras da cidade que cheguei a conclusão de que o local estava mais para velho do que para antigo.

As construções mal cuidadas, casas, ruas, lojas aparentavam largadas e os muros, infelizmente pichados. Será que podemos culpar os  jovens que habitam a cidade universitária? Ou devemos culpar os “velhos” moradores que não cuidam do “tesouro” que eles possuem em mãos? Ou não devemos culpar ninguém? Culpamos uma sociedade que não se preocupa mais com o valor histórico das coisas? Ah, se fosse no nosso país, eu optaria pela última opção (não que a gente tenha tanta história, mas temos alguma).

Coimbra
Coimbra

Já ouviu falar de pessoas que são ricas por fora e pobres por dentro? Se for possível levar essa metáfora para as cidades, talvez Coimbra se encaixe nesse perfil. Um lugar com tanta importância histórica e tão mal cuidada. Aqui então chegamos na parte onde eu gostaria de explorar o adjetivo velho.

Leia também: Nem só do Azul vivem os azulejos do Porto

No dicionário, velho e antigo são sinônimos. Mas, normalmente usamos velho como um adjetivo pejorativo e antigo é utilizado como um adjetivo que muitas vezes enaltece o valor histórico. E será dessa maneira que eu vou levar esse texto adiante.

A Universidade de Coimbra, se encaixa no perfil “antigo”, é passagem obrigatória para aqueles que estão na cidade.

Coimbra
Coimbra

A atração começa ao encontrar com os alunos vestidos com as suas capas pretas (batina). Você pode até se confundir e achar que está na Universal Studios (Orlando) e pedir para tirar uma foto com o Harry Potter, mas não é o caso. Não pague de louco e só aprecie de longe. Cuidado com as fotos, os alunos não são atração turística, eles podem não gostar de ser fotografados.

A semelhança não é mera coincidência, a autora (J. K. Rowling) dos livros do bruxinho  foi professora na universidade. Talvez tenha sido inspiração para a saga Harry Potter.

A Biblioteca Joanina, Capela de São Miguel e o Paço Real, todos extremamente bem cuidados e ricos em detalhes, são consequência do seu estilo Barroco.

Joanina está mais para uma bibliotecaland. São cerca de 70 mil obras. se somar os anos de história que aquele local guarda não tem pra ninguém, nem pra pré-história, eu acho. De ponta a ponta, de cima a abaixo os seus olhos vão enxergar: livros e ouro! Se inclinar um pouco mais a cabeça irá visualizar o teto e irá se perder nos traços, cores e principalmente, nas perspectivas que cada sala irá te proporcionar. A estrutura das prateleiras, corrimãos e também das mesas, são esculpidos na madeira. Ricos detalhes que nem mesmo vai conseguir visualizar. O sentimento de perfeição é tanto que você sabe que está tudo lá e muito bem trabalhado.

Leia também: Região do Douro

Na Capela de São Miguel bastará cerca de 10 passos para você contemplar toda a sua beleza. Se na biblioteca os livros tomam conta, aqui a vez é dos azulejos portugueses que parte foi produzida na própria cidade e parte trazida de Lisboa. No teto, há uma pintura colorida e alegre, transmitido exatamente o estilo dos portugueses.

Coimbra
Coimbra

Descendo da Universidade para a cidade baixa, nos deparamos com uma cidade velha e mal cuidada, que me levou a reflexão do que eles estavam fazendo com uma cidade tão importante historicamente falando.

No meio de tantas construções, uma se destaca, a Sé Velha, antiga Catedral da cidade que me deixou na dúvida se eu definiria como velha ou antiga.

Coimbra
Coimbra

Comecei a avaliar outros aspectos, a complexidade daquela construção vista de fora. Praticamente impossível identificar onde começa e onde termina. Ela parece ter sido construída dentro, em cima e ao redor das casas da região (ou seriam as casas que se “emaranharam” na Catedral?). Fui de um lado ao outro para tentar compreender e não foi possível.

Coimbra
Coimbra

Resolvi entrar. Internamente não existe confusão e é possível ver a construção de ponta a ponta. Um bonito claustro, claro e silencioso, até parece esconder a bagunça que é lá fora, do velho, do antigo e das casas emaranhadas.

Coimbra
Coimbra

Já no calçadão da cidade, se não fosse por conta das vitrines, o velho estaria destacado mais uma vez, mas ele deu oportunidade para o antigo.

Leia também: Aveiro

As louças de Coimbra ganham destaque naquela rua. Vitrines e mais vitrines oferecendo as mais exclusivas louças pintadas a mão (nenhuma é igual à outra). Eu que sou uma pessoa um tiquinho estabanada, deixava o meu marido com calafrios do lado de fora cada vez que eu decidia olhar as peças. Com muito cuidado e concentração, eu não quebrei nada.

Embora todos os objetos sejam novos, o antigo fica por conta dos traços e estilo da pintura que são do séc XV a XVII. Meu prêmio por não derrubar nenhuma peça, foi então aumentar a minha coleção de “potinhos” e trouxe um para a casa. Feliz em ter um item exclusivo, de origem portuguesa. Quem vier comer azeitonas em casa terá o prazer de admirar a minha louça de Coimbra. 😉

Bom, chega desse negócio de velho e antigo, porque agora eu vou falar do amor e para o amor, não existe idade!

O parque da Quinta das Lágrimas foi cenário para uma linda história de amor, porém de final trágico. Foi lá que no século XIV, o Príncipe Pedro e Inês de Castro viveram um amor proibido. Um bosque, para respirar ar puro e dar uma trégua para os seus neurônios, que a esse momento já estão embriagados de tanta informação histórica.

Coimbra
Coimbra

Os jardins do local acumulam lendas de uma história de amor. Além dos contos, o local virou um museu vegetal, onde tudo é real, reúnem espécies de todo o mundo. Sequóias gigantes enviadas do Reino Unido, palmeiras da China, figueiras da Austrália são alguns dos exemplos.

Leia também: Sintra

Coimbra
Coimbra

Em um campo amplo e aberto, no centro do Bosque de mata fechada encontramos a Colina de Camões, um anfiteatro construído para proporcionar entretenimento. Nos dias quentes e de sol, o  local se torna ideal para montar o seu piquenique e descansar. Se der sorte, pode esbarrar com algum tipo de evento musical rolando por aqui, ocupe um lugar na gramado e aproveite.

Coimbra
Coimbra

Dentro do parque, também se encontra um luxuoso hotel de Coimbra, o Quinta das Lágrimas. Possui um sofisticado restaurante que muitas vezes se torna a opção perfeita para um jantar em uma noite romântica. Já que estamos falando em romantismo, porque não?

A paixão desses dois pombinhos deixou inúmeras marcas na cidade. A Ponte Pedro e Inês, começa a dar um ar moderno para a cidade e foi um dos poucos indícios de cor que eu encontrei por lá. Feita de vidros coloridos que quando bate o sol, parece  se iluminar e ganhar vida.

Coimbra
Coimbra

Há cor também quando olhamos a cidade, construída no morro que te leva acreditar que lá habita uma antiga cidade europeia riquíssima em história. De certo modo é verdade!

Coimbra
Coimbra
Coimbra
Coimbra

As tradições e as histórias da cidade não são contadas simplesmente nos prédios e jardins de Coimbra. Estamos em Portugal e não poderia ser diferente, a velha tradição dos doces de cada cidade. Aqui o docinho da vez é a arrufada. Esse está mais para um pão doce, uma maneira carinhosa de chamá-lo. Grande como um pão italiano, mas muito fofinho como um pão doce. Serviu para enganar a fome ao longo das estradas que percorremos pelo país. O doce se originou dentro dos conventos de Coimbra e por isso, há uma coroa na superfície da massa.

Leia também: Uma viagem gastronômica por Lisboa

Para comer a melhor arrufada de Coimbra, você deve procurar pela Briosa. Padaria que coleciona prêmios portugueses. Já ganhou prêmios como: Doces à Base de Clara de Ovo, Arrufadas de Coimbra, Os Melhores dos Melhores de Portugal, entre outros. Já que eu estava na lama ou melhor no açúcar, eu quis entender o que significava: os melhores dos melhores de Portugal, ou seja, o melhor doce a base de ovo de Portugal. Eu já havia provado inúmeros quitutes  de Portugal. Todos com uma boa pesquisa sobre os melhores lugares para provar cada um deles, como deixar passar batido um prêmio desse?

Ora pois, qual é o melhor dos melhores de Portugal? Suspiro! Isso mesmo, o nosso bom e velho suspiro.

Coimbra
Coimbra

Em Portugal, é muito comum encontrar doces a base de gema de ovos. Para aproveitar as claras, os conventos criaram os suspiros – claras de ovos batido com açúcar.

A Padaria Briosa resolveu fazer um senhor suspiro e o fez do tamanho de Itu (cidade onde tudo é grande). A hora que eu vi aquilo, desacreditei e logo imaginei que não seria possível provar aquele doce. O Chris que é doidinho por suspiro resmungou: “Claro que vamos levar e eu quero comprar a lata também.” Esse é turista. Saímos da Briosa com uma lata enorme de suspiro e uma arrufada.

E assim foi a nossa andança pela antiga cidade de Coimbra. Já conheceu a cidade? O que achou? Velha ou antiga?

6 comments

  1. Coimbra é uma cidade antiga e quanto ao termo velha temos que levar em conta a situação econômica que o país se encontra. Tenho muitos amigos portugueses e a situação que se encontram não está fácil estão preocupados com seu sustento, saúde não tem como cuidar de suas casas e o governo? Ah! O governo!!!!

    1. Dodora, você tem toda razão! O país não se encontra na melhor situação econômica. Tomei a liberdade de fazer essa comparação, pois visitei várias cidades do país e não tive a mesma impressão nas outras, senti que é um pouco de mal uso dos moradores de Coimbra do que da situação do país em si. =x

  2. Entendo sim sua comparação, pois conheço até que um pouco do interior, mas temos que levar em conta que é uma cidade do porte do Porto, esta sendo revitalizado mais que Coimbra, atrai mais turistas, Coimbra cidade universitária. Como eles dizem Porto trabalha, Coimbra pensa e Lisboa gasta.

  3. Não consegui visitar Coimbra em minha recente visita a Portugal… Uma pena porque quando um lugar tem como destaque uma bela Universidade (com ares de Potter) e louças lindas tem todo o meu afeto.

    Entendo sua decepção ao andar pelas ruas, pois eu vivo em uma cidade assim: histórica e mal cuidada. Ontem mesmo veio abaixo outro casarão histórico. Nossa história escoando pelo ralo. Sei que a discussão é válida: alimentar o povo ou cuidar de nossos prédios. Pode ser uma conta difícil, mas não podemos nos esquecer que nem só de pão vive o homem… Além do que, em nosso país, bem sabemos o destino final do dinheiro do povo.

    Voltando ao que interessa, apesar de tudo, me pareceu uma cidade interessante para ser visitada e espero estar ai um dia e ver tudo o que você contou bem de pertinho! 🙂 beijuuusss

Deixe uma resposta