50 tons do outono – Vale do Douro, Portugal

Valle do Douro - Portugal

Nem mesmo a Faber Castell seria capaz de montar uma caixa de lápis de cor com as tonalidades de amarelo, vermelho e laranja que eu vi na região do Douro.

Era outono, senti que os 50 tons (talvez mais) daquela estação haviam invadido o Vale. Os vinhedos formavam desenhos geométricos transformando aquele local em único e inesquecível.

O Rio Douro, que dá vida ao Vale, abriga nas suas margens as inúmeras quintas que juntas somam mais de 130 milhões de litros de vinho produzidos por ano. A região que mais produz vinho de Portugal pode ser desbravada em pequenas embarcações que navegam o rio. Ou também pode-se optar pelo comboio.

Mas como eu sou grande fã das estradas, optei pelo carro. Escolha perfeita! Passei por lugares sem ver uma gota do Rio Douro e muito menos trilhos do comboio. A estrada era cênica, e a cada novo quilômetro percorrido aquela paisagem me fascinava mais e mais.

Valle do Douro - Portugal
Valle do Douro – Portugal

Do alto da montanha (considerado o Alto do Douro), quando não se viam as cores intensas do outono, via-se a obra de arte de algum artista que plantou videira por videira. Artista que parecia saber o local exato de cada uma das mudas, com um único pensamento: deixar uma vista deslumbrante para quem passasse por ali. Os desenhos e as formas que os vinhedos formavam me deixavam perplexa. Vez ou outra a cor verde se destacava naquela obra de arte.

Valle do Douro - Portugal
Valle do Douro – Portugal

Eu estava tentando entender as nuances do amarelo, e quando conseguia compreender, era como se alguém gritasse no fundo: PRÓXIMO… e vinham os vinhedos com um tom alaranjado e mais uma vez – PRÓXIMO… e então entravam as cores avermelhadas! Isso tudo me deixou maravilhada. Conforme vinha o som chamando a próxima tonalidade, eu ali do lado do motorista gritava: Para o carro! Eu só precisava tirar uma (ou várias) fotos. E assim foi, o dia inteiro, uma parada atrás da outra!

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Fui descendo, sem sentir o tempo passar – para falar a verdade eu não estava preocupada com ele, aquele dia de céu azul e belas paisagens entraram no meu roteiro por um único objetivo: curtir e admirar uma das mais belas paisagens de Portugal.

Horas depois de percorrer a estrada e praticamente encher o cartão de memória da minha câmera fotográfica, tive o primeiro contato visual com o que dá vida para tudo aquilo, o Rio Douro. Já na margem do rio, cheguei então a Pinhão, e foi lá naquela pequena cidade que eu vi barcos e minicruzeiros apresentando a cidade para os turistas navegantes. Pensei comigo, que talvez voltar um dia para aquele lugar e viver a experiência de percorrer o rio poderia ser tão atrativo quanto percorrer as estradas. Quem sabe uma terceira chance para os trilhos da região? Humm, interessante…

Em Pinhão, a Faber Castell teria dificuldades em encontrar as tonalidades de verde para a sua coleção de lápis de cor. Ainda no fundo da paisagem, era possível apreciar os resquícios da cor do outono, mas era o verde que se destacava diante dos meus olhos. Verde do rio, verde das montanhas o verde da natureza. A pequena cidade me serviu como parada para respirar, tomar uma água e almoçar, eu precisava repôr as energias, já havia perdido o fôlego inúmeras vezes. Não sei se isso faz bem para a saúde, mas aquele dia estava me fazendo um bem danado 😉

Valle do Douro - Portugal
Valle do Douro – Portugal

Vou mentir se eu disser que eu não imaginava o que estava por vir. Eu esperava algo tão bonito ou até mais. Era hora da estrada margear o Douro.

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Valle do Douro - Portugal
Valle do Douro – Portugal

Entre o rio e a montanha, a estrada me conduziu até a Quinta do Tedo. Entre tantas opções de quintas (maneira como os portugueses chamam as vinícolas), escolhi a do Tedo, por ser familiar e menos turística.

Valle do Douro - Portugal
Quinta do Tedo – Valle do Douro – Portugal

Vim a descobrir depois que tinha acertado em cheio a época da minha visita. Nas palavras de quem vive e trabalha por lá, Thiago, o guia que me contou toda a história da região. Explicou sobre os processos de fabricação do vinho do Porto, encheu a boca para falar que o outono é o período mais bonito do Vale, essa conversa estava rolando do lado de fora da Quinta, onde de um lado está o Douro e do outro um dos seus afluentes, o Tedo. Senti que no mesmo momento que ele me disse aquilo, ele se voltou para a paisagem e suspirou, talvez estivesse agradecendo por trabalhar em um local como aquele.

Thiago, com toda a sua simpatia e um lado comediante, fez o meu dia ainda mais especial. É gostoso quando somos recepcionados por alguém que gosta do que está fazendo e faz com amor. Por esse motivo eu gosto de procurar lugares menos turísticos. É possível receber mais atenção, como se você estivesse sendo acolhido naquela família.

Confira como foi nossa passagem pela cidade do Porto, a cidade mais colorida de Portugal.

Mas nem só de história vivem as Quintas, que aliás são mais de dois mil anos de história naquele vale. Turista que é turista quer fazer degustação, uma vez nessa região, queria conhecer os sabores do Vinho do Porto. Foram três tipos: Vintage, Tawny e Rosé, o último me conquistou pelo seu adocicado e também por ser um tipo de vinho mais raro, que nas palavras do guia, é difícil encontrar um Porto Rosé fora da região do Douro. Não pensei duas vezes e logo pedi uma garrafa, será uma lembrança a cada gole!

Valle do Douro - Portugal
Quinta do Tedo – Valle do Douro – Portugal

Não só o Porto Rosé, mas acho, que tudo o que eu vi lá será difícil encontrar em outro lugar. Ficou na memória e nas lembranças fotográficas ou outono inesquecível nas suas mais belas e intensas tonalidades!

 

5 comments

  1. Ah! As belas nuances no outono do Vale do Douro… Minha estação do ano favorita, justamente pelas belas cores que ela nos proporciona. Que delícia ver todas essas paisagens ao vivo e em cores Maytê… Que delícia determinar seu próprio ritmo, como se vocês fossem donos do tempo e na verdade, foram!

    Achei a experiência da Quinta do Tedo um prazer. Fiquei com água na boca: pelo rosê, pela beleza de caminhar diante daquela paisagem e pelas histórias do Thiago. Esse Portugal mais rural é bem diferente de Portugal das cidades, não é mesmo?!.

    beijos Ana

    1. Ana, esse Portugal rural é incrível mesmo, como você disse muito diferente e eu me apaixonei por ele! Quanto as cores, eu já era apaixonada pelo outono, depois dessa eu só tive a certeza que essa é a minha estação preferida. =D

      Obrigada 😉
      Beijos

  2. O Douro é belo, mas no Outono a beleza sobressai (na minha opinião). Na Primavera com tudo verde ninguém consegue imaginar as cores que o outono esconde.

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