Voltar a estudar depois dos 50 anos – Intercâmbio não tem idade

Já falamos uma vez sobre intercâmbio após os 30, mas porque não depois dos 50 também ?

Não tem idade para embarcar em uma nova aventura, ainda mais quando é para uma experiência que vai somar. Foi exatamente isso que o Walmir fez, após incentivar os filhos e filhos dos amigos a realizar a enriquecedora experiência do intercâmbio, chegou a vez dele.

Esse post pra mim (Maytê), tem um gostinho especial. Esse é meu pai, meu exemplo. A pessoa que me apresentou o mundo (ou um pedacinho dele), que me ensinou que viajar não é só curtir, que não é uma despesa e sim um investimento (se bem aproveitado).

Por: Walmir Scaravelli

intercâmbio

Ha muitos anos tenho o desejo de dar um “improvement” no inglês e dedicar pelo menos um mês para isso, contudo a agenda agitada de empresário me fazia postergar o desejo ha alguns anos.

Neste ano contudo, o fato de reorganizar a empresa, desenvolver uma nova diretoria e passar a fazer parte do conselho permitiu tirar o projeto da gaveta, escolher um canto do mundo, fazer a matrícula e seguir viagem.

A cidade escolhida foi Toronto. Belo local, muitas atividades culturais, próxima a diversas cidades também muito interessantes e um custo x benefício sem igual. Coincidentemente escolhi um momento onde rascunhava um projeto pessoal de desenvolvimento de um centro cultural na minha cidade e precisava desenvolver uma pesquisa de como estas entidades eram desenvolvidas lá fora.

Intercâmbio

Iniciando o curso, o primeiro choque de realidade. Ao fazer um curso deste tipo escolhi viver exatamente como um estudante, ou seja, usando transporte público e vivendo em uma host family. Muito diferente das viagens que comumente realizo no conforto de hotéis e com carro locado.

Ao viver em casa de família, utilizar metrô e ônibus em uma cidade estrangeira a sensação é completamente diferente de uma viagem a lazer. Você tem realmente a sensação de estar morando no local além de uma sensação de “túnel do tempo” tendo um dia a dia mais simples e exatamente como era na minha adolescência. Este foi um tempero especial da viagem que a tornou muito diferente das minhas viagens tradicionais.

Intercâmbio

A interação com a família não foi exatamente o que eu imaginava. Provavelmente porque estou próximo do intercâmbio do Rotary que é sempre muito “família” e cercado de cuidados. Já nestes intercâmbios a coisa é mais profissional e a ligação é quase inexistente.

Estando em uma cidade que é referência mundial em cultura eu não poderia deixar de aproveitar cada tempo livre no curso para conhecer os principais museus de arte, história natural e parques nacionais de Toronto e redondezas.  

Intercâmbio

Na primeira semana me dediquei a conhecer a turma, e os locais mais tradicionais da cidade como o CN Tower, Casa Loma, Ripley’s Aquarium, respectivamente a mais alta construção do Canada, o único Castelo Turístico da América e um aquário com mais de 16.000 animais marinhos.

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Daí em diante o tempo foi dedicado ao aprimoramento do inglês, escolhi uma turma acima dos 30 anos com pessoal mais focado no segundo idioma, interessante trocar experiência com profissionais maduros, médicos, engenheiros e líderes em seus segmentos. Em segundo plano eu dava um mergulho nos melhores museus da região.

Comecei pelo ROM, Royal Ontario Museum, um local fantástico com exposições de fósseis, insetos, rochas e da história da civilização na qual você precisará de pelo menos 4 horas para fazer uma visita rápida. Tive também a oportunidade de conhecer o Ontário Science Centre outro local fantástico para se visitar e aprender e ainda mais divertido se puder fazer a visita como crianças, já que o complexo lhe proporciona diversas horas de lazer e aprendizado que pode ser compartilhado como seus filhos.

Como faço parte do Rotary Club de Itu ha mais de vinte anos, para completar aproveitei o tempo para conhecer alguns Rotary Clubs da cidade. Visitei 2 clubes e como sempre fui muito bem recebido e até orgulhoso em saber que um deles foi fundado por uma brasileira. Sempre muito receptivos aproveitei para treinar melhor o inglês e também entender como eles desenvolvem seus projetos internacionais, o que foi ótimo.

A escolha por Toronto foi também influenciada pela facilidade em visitar grandes centros em viagens curtas. Tive a oportunidade de passar um final de semana em Boston e conhecer as grandes Universidades como MIT e Harvard. Conhecer o ambiente universitário das principais fábricas de intelectuais e de Nóbeis do mundo também é muito interessante.

Estando em Boston tive também a oportunidade de conhecer o Fine Art Museum, Museum of Science, Harvard Museum of Natural History, John Kennedy Museum. Todos eles fantásticos. No de Belas Artes você simplesmente fica perdido, pois o trajeto é feito para você não conseguir fazer algo linear e você nunca vai saber se viu tudo, aliás é certeza que será impossível ver tudo em uma só visita. No de Ciências você recebe uma enxurrada de informação e sai de lá embriagado de ciências. Em seguida no de História Natural de Harvard, tudo parecia despretensioso, mas ao explorar o ambiente não há como não ficar fascinado pela diversidade do que eles possuem como acervo e para concluir no JFK você tem a oportunidade de reviver a história americana e entender o quanto este povo idolatra sua pátria e seus ícones políticos.

Logicamente que estando no Canadá também não perdi a oportunidade de conhecer alguns Parques Nacionais e reservas tão famosos deste país, o primeiro foi o Algonquin Park, onde eu e meus colegas tivemos oportunidade de remar em caiaque por um longo período e que só não foi maior simplesmente porque meus braços não estavam preparados para o exercício, e ao final da viagem tive a oportunidade de rever as Cataratas do Niágara, um local que já havia estado ha 10 anos atrás mas que pela beleza e força da natureza seria impossível não retornar já que eu estava tão próximo.

Intercâmbio
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Enfim, uma viagem que inicialmente foi planejada para se aprimorar o inglês teve várias facetas. Posso dizer que no quesito aprimoramento  do inglês deixou até um pouco a desejar, mas a experiência como um todo valeu muitíssimo a pena. Foi uma experiência única de amadurecimento, de entender como uma cultura diferente da sua vive no dia a dia e principalmente recebi um banho de cultura e de ciências que muito vai me ajudar no desenvolvimento do projeto de Centro Cultural que venho desenvolvendo com outros empresários da cidade.

Aconselho a todos aqueles que já passaram dos seus 40 ou 50 anos planejem uma experiência como esta, pois certamente não se arrependerão e ainda terão a oportunidade de trazer na bagagem algo que não pesa na bagagem nem nunca fica na alfândega…. Cultura, conhecimento e mais sede de saber….

O mais interessante é que logo que cheguei, recebi um convite inusitado, o de ser Secretário da Educação da minha Cidade. Um convite de imensa responsabilidade, e coincidentemente logo depois de uma experiência tão próxima da educação, porém do lado de estudante. Achei a coincidência muito interessante e resolvi aceitar o desafio para tentar diminuir o hiato que percebi existente entre a educação no nosso país e das desenvolvidas no primeiro mundo.

Leia também a experiência da Elaine, que foi fazer intercâmbio após os 30 😉  Clique aqui.

 

2 comments

  1. Foi um prazer poder colaborar com este Blog Especial, não apenas porque ele é divertido, mas especialmente porque instrui quem gosta de viajar com uma visão diferente dos demais blogs, olhando cada vez de um angulo diferente daquele que viaja.

    Parabéns Mayte pelo Projeto de Sucesso !!!

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