6 delícias de Lisboa que só os locais conhecem – e outras coisinhas mais

Lisboa

Já adianto: se estiver com fome é melhor pegar algo para beliscar enquanto lê esse post de Lisboa. É que São Pedro e seu time todo não colaboraram, e o que era pra ter sido uma viagem cultural se transformou em uma prazerosa viagem gastronômica.  

Não pense que rechearei o post recheado de bacalhau. A rota turística passou longe e preferimos fazer como fazem os locais. Onde comem? Do que se alimentam? 😉

Éramos nós dois (eu e o marido) e mais alguns amigos.

A primeira descoberta chegou logo cedo. Para fugir da chuva seguimos para Igreja de São Roque. Que refúgio incrível! A igreja por fora não é nem um pouco atrativa, mas por dentro, quantos tesouros.

Supõe-se que essa é a igreja mais cara da Europa. Boa parte da sua decoração veio da Itália por volta do ano de 1747. A construção tem um pé direito alto, mas na verdade o que chama atenção não é a sua altura, mas o fato de não ter colunas distribuídas pelo salão. A falta delas nos deu a impressão que o espaço era ainda maior. Um belo truque de perspectiva.

Lisboa
Igreja de São Roque – Lisboa

O tapete azul me chamou a atenção. Na maior parte das igrejas que conheço, é o vermelho que conduz até ao altar. Mas aqui, o azul contrastava lindamente com o dourado. Um barroco sem exageros: o pouco que reluziam sob o nosso olhar era quebrado pelo mármore delicado. Vamos dar a mão à palmatória? Menos é mais!

Leia também: Nem só do Azul vivem os azulejos do Porto.

O teto pintado em talhas de madeiras e os anjos que ali estavam me levaram para outra dimensão. Aliás, pela janela da pintura, o céu dava sinal de que a chuva tinha ido embora e dava espaço para um belo dia sol.

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Igreja de São Roque – Lisboa

Foi só uma ilusão mesmo. Mas não somos de açúcar e não brincamos em serviço! Entre uma gota e outra fomos descobrir o bairro do Chiado, o elevador de Santa Justa e a rua Augusta, recheada de bares e de “malandros” (todos dizem vender os “melhores” bolinhos de bacalhau e pastéis de nata).

O convite mais inusitado veio de um mineiro. Isso mesmo, aquele que sabe fazer um bom pão de queijo nos ofereceu o “melhor” pastel de nata de Portugal (que ele mesmo fazia). Não acreditei, dei risada da piada e vou ficar sem saber se ele falava a verdade ou não.

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Bairro do Chiado – Lisboa

A fome apertava tanto quanto a chuva, sinal de que estava na hora de cometer o pecado da gula.

O nosso primeiro pecado ocorreu na Casa do Pasto, indicação de uma barman que trabalhava em um bar cujo o nome era bem suspeito: Pensão do Amor (acredite, era só um bar).

Quem nos atendeu foi uma baiana muito simpática baiana, que decifrou o cardápio com bastante paciência (sim, ele estava em português, mas como entender?) e deu sua sugestão: Presa Ibérica, carne de porco preto, mal passada! Carne de porco mal passada? Sim, ela nos garantiu que não teríamos problemas e que seria a melhor carne de nossas vidas.

Quer saber onde eu comi o melhor bacalhau de Portugal? Leia aqui

Eu passo! Fui no peixe com risoto (claro) acompanhado com uma maionese de ervas que só não me permitiu ter lembranças da comida da minha avó, porque a minha não sabe fazer risoto. Mas, quando eu vi, estava perdida me lembrando da casa aconchegante da vovó.

Voltando à Terra. A mesa estava bonita e um vegetariano teria uma síncope: carne (crua e bem passada), peixes, polvo e pato. O que aconteceu mesmo naquela mesa foi uma invejinha (boa) do prato do vizinho. Voltaria lá por uma semana seguida, só para provar todo o cardápio.

Lisboa
Casa do Pasto – Lisboa – Foto do site Casa do Pasto

Ah, a presa ibérica? Quem provou comprovou: “Um dos melhores pratos que já comi na minha vida!” E olha que o Zé, o corajoso, entende de gastronomia heim. 😉

A sobremesa ficou por conta do Leite Creme. Se você já provou o famoso Crème Brûlée, siga em frente. Os dois são irmãos.

A chuva parecia dar uma trégua. Não pensamos duas vezes e corremos para o Convento do Carmo. Dessa vez não tinha teto para admirar: o teto ficaria por conta do céu (de preferência azul e sem chuva).

Lisboa
Convento do Carmo – Lisboa

Ao som da música: “era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada”. Eu apreciei como uma criança apreciaria uma brinquedo novo. O terremoto que passou pela cidade em 1755 teve pena de nós e nos deixou essas ruínas de presente.

Sobre igrejas diferentes? Que tal a Capela dos Ossos em Évora, feita de ossos humanos.

As colunas e os arcos estão todos lá. O que antes formavam a principal igreja gótica de Lisboa, hoje forma uma famosa atração para os turistas um pouco mais avisados. A fachada dela não dá indícios do que tem lá dentro. Se você não conhecer, provável que passe pela frente e não entre. Anotou?

Lisboa
Convento do Carmo – Lisboa

Descemos do Convento a pé até o bairro do Chiado. Sim, de novo. Esse bairro foi feito para isso: andar, ver as lojas, passear, sem pressa e sem rumo.

A primeira turma estava cansada, foram embora para o hotel. Meu marido e eu, ativos e jovens que somos (mentira), estávamos só começando a noite. Era hora de encontrar um casal de amigos que moram no Porto. Não tem melhor ponto de encontro em dia de chuva e frio do que um restaurante cheio de gordice, né?

É.

Acabamos no To.B to Burguer or not to Burguer, um achado! No bairro do Chiado, clima descontraído e jovem, mesinhas altas, tubulação à mostra, sofás e uma música um pouco mais alta do que o ideal para uma boa noite de bate papo.

Lisboa
To. B – Lisboa – Foto retirada do Facebook do To. B

A comilança começou com as entradas: as minhas favoritas (sempre) batata rústica e batata chips com molho de alho. A última era tão crocante quanto o “crec” que faz na propaganda de qualquer batata chips por aí.

Eu ouvi hambúrguer? Confira onde está o melhor hambúrguer de Dublin.

Já o hambúrguer optei pelo Honey Goat (queijo de cabra, mel e mostarda). Qualquer pessoas que me conhece bem sabe que essa seria a minha opção na certa (sou um pouco previsível com essas coisas).

Ao veredito:

O pão estava fofinho, a carne suculenta. O queijo derretido e com toda a sua potência de um bom queijo de cabra. A mostarda e o mel, meus queridinhos… Não tinha como dar errada aquela combinação. Já estou desejando um retorno a Lisboa.

Saindo um pouco da comilança (consigo?): se você, assim como eu, é apaixonada por potinhos de louça, aqui vai a dica de ouro. Muito próximo a hamburgueria, há uma loja que vende louça a quilo. Isso mesmo, uma loucura. Cerâmicas na Linha, uma loja cheinha de potinhos para você ser feliz. Basta escolher a cor e o modelo, colocar na balança e carregar o peso o resto do dia.

Já no dia seguinte, o que tivemos? Um lindo dia de sol!

Lisboa
Lisboa

Por coincidências da vida, esse foi o dia que reunimos todos os nossos amigos que estavam na cidade. Agora éramos um grupo de dez. A turma toda é da cidade de Itu, que embora seja “vendida” como a cidade onde tudo é grande, ela própria é pequena e todo mundo se conhece.

Era o dia da excursão da Tia Mayte (eu no caso). Andamos pelo Castelo de São Jorge, subimos ruínas, descemos as escadarias, tiramos fotos nas sacadas com vista para a cidade, fizemos tudo o que tínhamos direito, só não encontramos o dragão (que piada ruim =x).

Leia Também: Cabo da Roca – Passeio partindo de Lisboa.

Eu como uma boa guia, não poderia falhar, seguimos para a Torre de Belém, irresistível.

Todo primeiro domingo do mês em Lisboa, as entradas de todas as atrações são free e por esse único e exclusivo motivo, você pode imaginar o tamanho da fila para subir na torre. E quem é que queria perder calorias com a prática do exercício? Nós queríamos mesmo era ganhar mais algumas provando o famoso pastel de Belém!

Lisboa
Torre de Belém – Lisboa

Também tinha fila e não era pequena, mas de uma maneira muito organizada e rápida em menos de meia horinha já estávamos cada um com uma caixinha de quatro pastéis na mão.

Não é legal falar palavrão aqui no blog, mas imagina um bem feio. Foi esse mesmo que soltamos ao morder o pastel de belém (o original) quentinho, cremoso e amarelinho. PQP, estava muito bom mesmo.

O Mosteiro? Com fila! Imaginem só o que aconteceu? Fomos comer! A culpa bateu logo em seguida, não pela comilança, claro. Mas sim por ter deixado pra trás um local tão icônico como o Mosteiro de Jerónimos. Mas sabe o quê? Ás vezes deixamos para trás bons motivos para voltar.

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Mosteiro de Jerónimos – Lisboa

Hora de almoçar, seguimos então para o Pharmacia. Um restaurante que está localizado dentro do museu da farmácia. A chef Felicidade (nome dela) não nos proporcionou tantas alegrias assim.

Ops, vamos por partes. A chef, sim, nos proporcionou alegria e felicidade, a comida era boa e tal. Mas o atendimento… deixou a desejar muito, apesar de o restaurante ser super bem indicado.

Leia também: Região do Douro

O conceito do Pharmácia gira em torno de uma farmácia (claro). As garrafas de água e os drinques são todos servidos em recipientes “estranhos”, tubo de ensaio, vidros de remédio e por aí vai. O local é super bacana e te oferece realmente um clima divertido.

Lisboa
Pharmacia – Lisboa – Foto retirada do Facebook do Pharmacia

Como você já sabe, estávamos em dez pessoas, fizemos a nossa lição de casa e ligamos com antecedência para reservar uma mesa. Chegamos lá e parece que nos acomodaram em uma caixinha de remédio. Pedimos para trocar de mesa, falaram que não era possível (o restaurante estava vazio) e isso nos deixou bem frustrados.

A ideia do local é compartilhar felicidade (comida) através de comidas em pequenas porções, que todos podem compartilhar. Pedimos dez porções para uma mesa de dez pessoas. Se você é bom de conta já entendeu que no fim das contas uma porção por pessoa foi o suficiente.

O conceito de compartilhar virou uma salada mista e comemos bacalhau, camarão, polvo, batata e carne ( 2 porções de cada, para cada um provar ao menos um pouco de cada tipo de prato).

Final da história: todo mundo saiu feliz e de barriguinha cheia. Eu só fiquei chateada pelo atendimento ter sido bem ruim em um local tão bacana.

Optamos por não pegar a sobremesa por lá. E Tia Maytê já tinha uma carta na manga: o Gelato Devvero. Com certeza, deixa qualquer Rochinha, Dilleto ou Baccio di Latte no chinelo. Além do sabor incrível, a criatividade para a elaboração dos sabores é fantástica.

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Gelato Devvero – Lisboa

Entre tantas opções tradicionais, encontrei os inusitados: caramelo salgado, manjericão, ricota com nozes, wassabi, cenoura, castanhas e por aí vai (os sabores variam muito do dia).

Está curioso para saber qual eu provei? Manjericão e torta de maçã. Nem pense em fazer eco. O mais gostoso e refrescante foi o de Manjericão. Com tantos amigos juntos, provei também ricota e caramelo salgado – aprovados também!

Leia também – Viagem por Portugal – Nosso roteiro completo.

Time Out Mercado foi a nossa parada final. Sim, sim, sim, depois do almoço e do sorvete seguimos para o mercado, a princípio com o objetivo de conhecer. Mas não demorou muito para a gente achar uma mesa e comprar a primeira garrafa de vinho. Em seguida cada um procurou aquele restaurante que mais lhe agradava e mandou ver.

Lisboa
Time Out – Lisboa

O espaço é super bacana: alta gastronomia, acessível, tudo junto e misturado. Um galpão enorme, ao centro inúmeras mesas longas compartilhadas. Cada um respeitando o espaço do outro. Dando a volta no galpão e abraçando todos os turistas que se juntavam naquelas mesas, os restaurantes vendiam os mais variados tipos de comida e bebida: Bacalhau, lanches, tapas, sorvetes, vinhos, sopa… Todos felizes, cada um com sua escolha.

Balanço geral? São Pedro foi brother. Lisboa é uma delícia. Suco verde para os próximos 10 dias!

16 comments

  1. Ah, Lisboa!!! Tenho que concordar com você Maytê: a cidade é uma perdição gastronômica. O jeito é se deixar levar, sem culpas ou restrições e aproveitar tudo o que essa cozinha tem de bom!

    Também pegamos um ou dois dias de muita chuva na cidade! Uma noite, estávamos na rua e parecia que o mundo ia se acabar!

    Que linda a Igreja de São Roque! Que teto maravilhoso! É tão bom estar em contato com o que é bonito, bem feito, bem construído, não é mesmo?

    Ah, Maytê! Você perdeu! O porco preto é uma das carnes mais saborosas que já experimentei na vida! Divino! Toma coragem, menina e experimenta da próxima vez!

    Duas dicas preciosas você deu que me fazem querer voltar ontem para Lisboa: o Pharmacia e a lojinha de cerâmicas que eu amo essas coisas!

    Que delícia voltar à Lisboa com você! Que delícia reviver alguns lugares! Adorei! beijos

  2. Maytê, covardia esse post! Primeiro porque você me atraiu por uma paixão,a gastronomia. Vim esperando as comidinhas deliciosas de Lisboa e você ainda me presenteia com arquitetura maravilhosa da cidade. Ganhei dos presentes num post só! Linda a Igreja de São Roque, Lindo o convento do carmo. E meu Deus, preciso comer um pastel de belém em Portugal, isso é uma missão de vida.

  3. Que fotografias tão bonitas! O Convento do Carmo é dos meus sítios favoritos em Lisboa. E tens razão, o Chiado foi feito para passear e nos perdermos nas ruas. Apesar de viver junto a Lisboa, adoro quando posso turistar por lá! Quanto aos restaurantes, já ouvi falar (muito bem) de todos, mas ainda não estive em nenhum. Tenho de ir!

  4. Esse era o post que precisava ter lindo nas duas vezes que fui à Portugal. Acreditas que não comi tão bem quanto todo mundo fala? E nas duas vezes!! Mas mesmo assim não desisti e tenho planos de voltar hehe

    bjs
    Dani Bispo
    abolonhesa.com

  5. Maytê! Salivei e ri do início ao final deste post. Fala sério, que passeio mais gostoso em todos os sentidos! Vocês tiveram muitos bons motivos para colocar Lisboa de novo em um roteiro, e como! Que neste próximo o sol reine! 😉

  6. Aff, engordei só de ler este post! ahaha Mas gostei muito do jeito que você o escreveu e as fotos também estão ótimas. Chuva e turismo não combinam, não importa o quão otimistas as pessoas tentem ser, mas parece que você não se incomodou muito e tirou bom proveito da situação!

  7. Olá Maytê, que post legal !

    Uma das melhores lembranças de nossas viagens por portugal também foi a comida, que maravilha foi aquilo.

    E Lisboa com certeza foi um dos pontos altos… o pastel, o bolinho de bacalhau, os frutos do mar… muito bom! 🙂

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