Londres sem pressa: como conhecer a cidade na contramão do ritmo Londrino

Londres

Londres é uma loucura! Eu, uma garota do interior de São Paulo, fiquei um pouco zonza com aquele ritmo frenético.

A cidade é um dos maiores e mais importantes centros financeiros do mundo. Abriga 100 das 500 maiores companhias da Europa. É o município mais populoso da União Europeia, com a mais extensa rede ferroviária subterrânea do mundo.

Já cansei, para o mundo que eu quero descer!

Resolvi que o meu passeio seria na contramão daquele movimento desenfreado.

Dediquei boa parte dos meus dias para desfrutar dos parques urbanos e de boas caminhadas pela cidade.

Sem pressa e sem querer parecer turista, me disfarcei de local.

St. James’s Park foi o primeiro deles. Foi lá que começamos o dia, o dia ainda estava bom e não chovia. Na mão, um café e um lanche que eu comprei na saída do metrô. Me sentindo parte daquele cenário a cada gole do café que me esquentava naquela manhã fria eu tentava comunicação com os inúmeros patos, pássaros e esquilos que me rodeavam como se eu fosse uma estranha. Talvez fosse!

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St. James’s Park – Londres

Em busca dos poucos raios de sol que escapavam pelos buracos das nuvens, caminhava entre os jardins, que estavam rodeados pelo Palácio de Buckingham, Palácio de James e também pelos cavalos da guarda. Fomos descobrindo as silhuetas da cidade, de longe, mas com toda a sua altura avistei ela, a London Eye.

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St. James’s Park – Londres

Chegamos até o Horse Guards Parade. Para a nossa sorte estavam lá, cavalos e cavaleiros expostos, como em um seriado da realeza inglesa.

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Pela a avenida que nos levaria até Big Ben e a London Eye caminhamos apreciando a arquitetura da cidade. Coisa que era inimaginável fazer há 7 anos atrás quando estive na cidade pela primeira vez.

Através da Arquitetura Vitoriana fui me apaixonando por uma Londres que eu ainda não conhecia. Os detalhes e a harmonia das construções me chamavam a atenção. A simetria e as formas como brincam a cada novo andar dos prédios me intrigaram e comecei a refletir: talvez aqueles que passam por aqui correndo, nunca tenham notado essa curiosidade.

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Mais um pouco de caminhada em passos lentos e chegamos até a Westminster e Big Ben. Que me serviram apenas de passagem, eu já havia entrado na abadia no passado.

Quando fiquei cara a cara com o os olhos de Londres, não resisti, parecia uma lunática procurando o melhor ângulo e orgulhosa do resultado. Não tinha como negar, eu era mesmo uma turista caindo de amores pela cidade.

Peguei o metrô com destino ao Regent’s Park.

A essa altura o título de cidade cinza já havia fugido da minha mente, o verde estava por todos os lados e vinha me acompanhando desde cedo. Assiste os meninos jogarem rúgbi e futebol nos inúmeros campos espalhados pelo parque, desejei morar ali ao lado para correr toda manhã naquele lugar e até senti vontade de pegar uma bicicleta afim de desbravar aquele pedacinho tranquilo ao meio da caótica cidade londrina.    

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Atravessei o parque fantasiando uma vida na cidade grande. Cheguei até os canais, caminhei pela margem e me esqueci da onde eu estava. Nem sinal de trânsito, no máximo um barquinho atracado esperando o verão chegar para explorar as águas do Reino Unido.

No contramão dessa tranquilidade toda, cheguei em Camdem Town. Agora sim eu estava em Londres. Um bairro tão eclético como esse só poderia estar nesta cidade mesmo.

A variedade não é só dos estilos que desfilam pelas pequenas ruelas do bairro londrino, mas também estão à vista nas barraquinhas de comida que vendem todos os tipos de comidas, nas também nas de roupas que vendem os mais diferentes estilos e também objetos. Não acredita em mim? Então procure pela CyberDog, uma loja maluca com dançarinos, roupas e sapatos com neon, maquiagem e acessório que aparentemente cairiam muito bem para o carnaval.  

Hyde Park entrou no roteiro para fechar o dia com chave de ouro e um céu da mesma cor. O pôr do sol de frente para o lago The Serpentine foi arrebatador e não vou nem titubear para falar que esse foi o meu lugar preferido da cidade.

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Hyde Park – Londres

Com o meu chocolate quente para esquentar a alma e a mão exposta a ventania da cidade margiei o lago que parecia engolir o sol.

O céu azul, foi um presente naquele momento, estava sendo todo tomado pelo amarelo dos raios solares. As crianças que brincavam na beira do lago e a invasão de patos e gansos me levaram a procurar onde estavam as câmeras. Aquilo deveria ser cenário de algum filme romântico. Parei para admirar e agradeci por não ter hora para ir embora daquele lugar. Na real, se pudesse estaria lá até agora!

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Hyde Park – Londres

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O dia já chegava ao fim, a pernas já estavam perdendo a força, mas parece que aquela paisagem dava força. Dei a volta no lago, ao atravessar a ponte a vista parecia ficar ainda mais incrível.

Londres
Hyde Park – Londres

Podem me julgar, mas essa é a imagem que eu guardo deste destino. E quando me perguntarem o que eu achei do ritmo frenético e desenfreado, devolverei a pergunta: Que ritmo? Pra mim Londres foi uma das cidades mais tranquilas que eu já conheci. 😉

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Se lá em cima eu falei que me disfarcei de local, muito provavelmente eu estava com uma máscara de aposentada. Afinal, qualquer trabalhador londrino jamais faria essa afirmação!

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