Nem só do Azul vivem os azulejos do Porto – Portugal

O Porto - Portugal

Aprendida a primeira lição, a de que eu estava no Porto e não em Porto, comecei a explorar a cidade que deu nome ao país. Não precisei andar muito para chamá-la de Cidade Colorida. Parecia uma paleta de cores, não muito harmônica, que dava vida aos antigos prédios do Porto. Cheguei a pensar se aquilo tudo era para encobrir um pouco da presença do passado, mas, para a minha surpresa, aquelas tonalidades eram originais.

Não esperava por tantos tons diferentes, apenas imaginava encontrar uma única cor primária: Azul. Já que o local ganhou o apelido de “Porto, a cidade azul”. Mas é algo muito mais além do que um único tom.

Fato é que a cor se destaca pela cidade. Só em igreja, eu vi o azul dar vida para quatro delas, já nos prédios eu perdi as contas e sem falar na estação central. As nuances de azul geralmente estão estampadas nos admiráveis azulejos portugueses.

Interessante é como os portugueses conseguiram criar uma marca tão forte de algo que teoricamente não é deles. É com esse e com outros exemplos, que cada vez mais eu me convenço de que nada se cria, tudo se copia. Mesmo! : )

Os azulejos têm origem árabe, e a palavra significa pequena pedra polida – ela não vem de azul, como muitos imaginam. A peça decorativa chegou junto com os árabes na invasão da península Ibérica e conquistou a Espanha para só depois chegar a Portugal. Hoje o que conhecemos como azulejos portugueses, na história são conhecidos como azulejos mouro-hispânicos.

Gosta de cidades com traços mouros? Conheça a cidade de Alquézar na Espanha.

Se você quer apreciar esse tipo de arte, deve seguir até: Estação São Bento, Capela das Almas e Igreja de Santo Ildefonso. Com exceção da estação, ambas as igrejas concentram toda a sua beleza no seu exterior. Já a Estação Central, é preciso entrar e dar um giro 360º para admirar cada metro quadrado de arte pintada a mão, revelando um pedaço da história desse pequeno país.

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Estação São Bento – O Porto – Portugal
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Estação São Bento – O Porto – Portugal

Ao contrário das igrejas anteriores, a Igreja de São Francisco conta com um interior deslumbrante. Revestida de madeira e ouro, me deixou um pouco desnorteada e me fez relembrar as igrejas da minha cidade natal, Itu. Estilo Barroco, que até antes de eu me mudar para Europa, era o único estilo que eu conseguia reconhecer. Na primeira metade do século XVIII, quando a igreja foi restaurada com talhas de madeira dourada, reluziam cerca de 400 a 600 quilos de ouro, hoje estima-se que sobrou aproximadamente 1/3.

Sobre igrejas que me encantam – Albi, tem uma das igrejas que mais me impressionou na Europa.

Quando viajo, adoro ver a cidade de cima. Não, não estou falando do avião. Estou falando das torres e edifícios, onde é possível se ter uma vista na sua maioria, 360º da cidade. É com essa visão fotográfica que eu aprendo a geografia de onde estou. Tenho um sério problema com direção (inclusive com o lado direito e esquerdo), mas ali, olhando tudo de cima que eu consigo compreender onde ficam os principais pontos. No caso do Porto, foi a que me ajudou a compreender o que precisava ser compreendido.

O Porto - Portugal
Torre dos Clérigos – O Porto – Portugal

 Foi lá do alto que eu tive o meu primeiro contato visual com o Rio Douro, Vila Nova de Gaia e a Ponte Luís XV. Foi lá de cima também, que no meio das minhas reflexões sobre o Porto, entendi que a ribeirinha seria o local ideal para finalizar o dia. Com um bom drinque, boa vista e um belo pôr-do-sol.

O Porto - Portugal
Vista da Torre dos Clérigos – O Porto – Portugal

No primeiro dia, optei por ficar no Porto, apreciando a vista de Gaia, e no dia seguinte troquei de lado, fui para Gaia, para apreciar a vista do Porto. Qual eu mais gostei? A vista para o Porto, mais colorida, alegre e também mais movimentada.

O Porto - Portugal
O Porto – Portugal
O Porto - Portugal
O Porto – Portugal

Falando em colorido, leia também: As curiosidade de Dublin. Descubra o motivo das portas coloridas da cidade.

Europa é cultura, história e arte e por isso, bibliotecas e livrarias vez ou outra aparecem no circuito turístico. Mas, os amantes da literatura que me perdoem, achei a Livraria Lello uma furada. Me explico: o local cobra entrada (5) o que não é errado, se o valor for utilizado para manter o estabelecimento.

Se eles cobram, poderiam também estabelecer um limite de pessoas dentro da pequena livraria, que fica abarrotada de gente querendo fotografar a famosa escada que inspirou o filme do Harry Potter. Forma uma fila, pois enquanto alguém está tirando foto esse mesmo alguém não quer ninguém atrás, do lado ou na frente, atrapalhando a sua recordação. Isso acontece na parte superior e inferior da escada, o que me deixou um pouco irritada. Seria eu a pessoa sem paciência? Senti a escada muito mal cuidada, já que pagamos aquela pequena taxa para admirá-la.

O Porto - Portugal
Livraria Lello – O Porto – Portugal

O local tem sido reconhecido como uma das mais belas livrarias do mundo, por entidades como: o jornal britânico – The Guardian e a pop editora de guias de viagens Lonely Planet.

Não podemos negar que o local é cheio de história e a livraria é muito mais do que a sua escadaria. Os vitrais e os detalhes do teto em madeira são belíssimos, ainda em exposição um carrinho de livros que servia de apoio e seu trilho que atravessa toda a livraria.

 Por fim, bustos de famosos escritores como Eça de Queiroz se encontra exposto no local.

O espaço pode sim ser um prato cheio para aqueles que gostam de literatura e apreciam esse tipo de estabelecimento. Mas, se você for lá porque leu que o lugar é bacana, se informe um pouco mais e descubra se o local realmente te interessa.

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Já não tão colorida, dando ênfase para os tons de amarelo, entro no assunto: gastronomia portuguesa.

Eu, que estou aprendendo a comer bacalhau, não podia ter escolhido melhor escola para isso: Portugal. Aprendendo, porque eu nunca fui muito fã desse peixe. Eu sei, é estranho e já perdi as contas de quantas vezes as pessoas arregalaram os olhos para mim e me questionaram: Por que você não gosta de bacalhau? Oras, não sei, só não me agrada o sabor dele. Mas as pessoas tem dificuldade de entender isso. Eu me venci pelo cansaço, resolvi criar um relacionamento mais estreito com o peixinho e fui descobrindo diferentes sabores que ele poderia me proporcionar.

O meu primeiro contato com ele em Portugal aconteceu na Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau. Não foi necessário muito tempo de conversa para ele me conquistar: o bolinho de bacalhau com queijo da serra da estrela foi arrebatador! Senti que nosso relacionamento podia ser duradouro.

Mas, ainda com dúvidas, dei mais uma chance para ele na Taberninha do Manel, um famoso restaurante que fica na beira do Rio Douro, do lado da Vila Nova de Gaia com vista para o Porto. Chegou à mesa, o queijo que gratinava aquela jóia portuguesa, o Bacalhau com nata estava borbulhando. O peixe estava perfeitamente desfiado, misturado com um simples purê de batata e mais uma vez misturado com o segredo da casa: a nata. Que nada mais é, do que creme de leite.

O prato estava sútil e apetitoso, foi lá que eu tive a certeza que minha avó nunca mais iria me perdoar pelas inúmeros sextas-feira santas que eu troquei o bacalhau dela pelo salmão com cream cheese.

Leia Também: 50 tons do Outono, nossa passagem pela região do Douro.

Completamente diferente, mas não menos amarelo, foi no Porto que comi a Francesinha.

Uma invenção mirabolante dos portugueses para dar um up grade no nosso clássico misto quente e elevá-lo para categoria de: opções para o almoço. O presunto e o queijo ganham companhia nesse prato. Além dos clássicos, entra uma grande variedade de carne (que vai variar do local onde você está comendo).

O Porto - Portugal
Francesinha – O Porto – Portugal

A minha Francesinha tinha linguiça e uma espécie de bife. A batata frita também faz parte desse prato, assim como o molho de tomate, e tudo isso é coberto com uma generosa fatia de queijo. Pense fora da caixa e não veja ele como um misto quente, não tem como ir para Portugal e não provar a Francesinha.

Quando eu achei que já tinha visto e provado todas as cores da paleta do Porto, cheguei até à Meia Dúzia. A vitrine te leva a acreditar que é uma loja de tintas para pintar telas, mas a verdade é que aqueles tubos oferecem as mais deliciosas geleias que eu já provei. Prontas para dar cor a sua mesa. O nome é sugestivo, indico levar meia-dúzia ou até mais para não se arrepender mais tarde.

O Porto - Portugal
O Porto – Portugal

Se engana que está pensando, geleias? Elas são diferentes e cada uma recebe uma fusão de sabores, por exemplo: pera com groselha, abóbora com laranja, mirtilo com cidreira e por aí vai … Consegue imaginar a cor desse lugar ?

O local veio a calhar, era a prova final de que o Porto realmente é muito mais do que o Azul.

12 comments

  1. oi Maytê… que delicia viajar com você por essa cidade que conquistou o meu coração de uma maneira que jamais poderia supor! O seu olhar para as cores dessa cidade, para seus sabores, permitindo descobertas e segundas chances foi muito bom!

    Suas percepções e achados foram distintos dos meus como você vai perceber ao longos de meus relatos. Acho isso sensacional porque através de você estou vendo outra cidade.

    Essa meia duzia foi um encontro sensacional! Fiquei com dor no coração por não tê-la visto. E olhe que andei pela Rua das Flores muitas e muitas vezes. Teria me lambuzado nessa loja. Ótimas histórias, ótimas dicas para que está pensando em visitar Porto e até para mim que acabei de chegar e penso em voltar muitas e muitas vezes.

    beijos Ana

    1. Ana, muito obrigada pelo comentário! É sempre bom saber que nossos leitores estão viajando junto com a gente através dos nossos depoimentos, não é mesmo? Deixei um pedacinho do meu coração no dúzia rs principalmente por que eu só comprei três unidades =x

      Curiosa para descobrir as suas percepções sobre a cidade.

      Um grande beijo 😉

  2. Maytê, o Porto é apaixonante, né? Amo morar aqui e a gastronomia é algo que me envolve completamente, parece que quanto mais você conhece, mais você tem pra conhecer. Rs O que eu mais gosto são os rissóis de leitão, a francesinha, as papas de sarrabulho. sardinhas na brasa e, claro, bacalhau. Fora os doces… Nossa… Concordo com você, é muito mais que azul é um misto de cores, sabores, pessoas e histórias. Adorei a matéria! abraços, Gabriels

  3. Oi, o que me encanta é a arquitetura das casas, prédios históricos, etc.. são tão perfeitos, coisa que não se vê muito no Brasil srsrs, a Torre dos Clérigos é de tirar o folego simplesmente lindo.

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