Uma viagem pelo Teatro-Museu Salvador Dalí – maluco e surpreendente

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.

Desde que cheguei na Catalunha, em 2016, as pessoas me perguntam: Você já foi conhecer o Museu do Salvador Dalí? Envergonhadamente eu respondia: não! Mas agora não passo mais vergonha e encho a boca para responder: Sim, que lugar incrível não é mesmo? 

Confesso, não era fã do cara! Achei curioso todo mundo falar tanto do local e achei que poderia ser um passeio realmente interessante, mas foi muito mais do que isso. Terminei minha visita aplaudindo e admirando Dalí.  

O Teatro-Museu está localizado na cidade de Figueres. Cidade do artista, a 145 Km de Barcelona. É possível chegar de carro, trem ou ônibus (dicas de como chegar no final do texto).

Como todo mundo me falava que o local era muito maluco (tinham toda razão), tratei logo de comprar um livro (que veio a ser o meu guia) para conseguir compreender o máximo possível. Achei justo escrever um post bem completo do local para ajudar aqueles que querem visitar. Se você quiser a versão deste post em PDF para te acompanhar ao longo da visita, me mande um e-mail: contato@passaportecompimenta.com

Vamos ao que interessa.

Para começar a compreender um um pouco do universo daliniano, temos que conhecer quatro elementos muito utilizado na sua arte.

  • Gala: Esposa de Dalí e musa inspiradora. Se prestar muita atenção irá encontrá-la por todos os lados do Teatro-Museu.
  • Pão: Elemento que mais carrega a simbologia nas obras do artista. “Pão tem sido sempre um dos mais antigos e fetichista temas obsessivos de meu trabalho, que a quem me manteve fiel.”
  • Muletas: Dalí explica: “Seriam necessários muitas e muitas muletas para dar uma aparência de solidez a tudo aquilo.”
  • Gavetas: Gavetas que se abrem no corpo humano. São as gavetas da consciência. As figuras com gavetas representam o mistério do conhecimento e da necessidade de difundir-lo. São, assim mesmo, um homenagem ao Sigmund Freud e a teoria da psicanálise.

Teatro-Museu

Conhecido como Teatro-Museu, o local que hoje abriga o Museu, no passado era o Teatro de Figueres. O espaço foi todo pensado e planejado pelo próprio Salvador Dalí, incendiado na guerra civil  se transformou em um sonho para Salvador Dalí, que disse: “O estado do local é maravilhoso, não se deve modificar e nem reparar nada. Cada centímetro destas paredes poderia ser um quadro abstrato.”

Salvador estava certo do local onde queria montar o seu museu, não abria mão de fazer isso em sua cidade natal. Declara também os motivos que o levaram a realizar esse sonho dentro do Teatro Municipal de Figueres:

  • Sou um pintor eminentemente teatral;
  • O teatro se encontra de frente para a igreja onde eu fui batizado;
  • Foi no Teatro Municipal de Figueres que eu expus a minha primeira pintura.

O processo de criação do Museu começou em 1961 e foi em 1974 que o local abriu as portas ao público.

Salvador Dalí definiu seu museu:“Este conjunto forma um único objeto artístico. Onde cada elemento é uma parte inseparável do todo.”

Exterior

Ao chegar, antes mesmo de adquirir o meu livro-guia, senti que o exterior do museu também deveria ser admirado. Não estava errada!

O espaço passou por diversas ampliações com o tempo, a última delas foi a Torre Galatea. Também foi a última residência do artista, o nome da torre vem a ser uma homenagem a sua amada, Gala.

O prédio todo rosa com inúmeros elementos cravados na sua parede, vim a descobrir mais tarde que eram um dos famosos elementos da sua arte, o pão. Os ovos espalhados pela sua fachada trazem a simbologia do nascimento.    

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Fachada Teatro-Museu

Já na entrada do Teatro-Museu, estamos diante da antiga fachada do Teatro de Figueres. 

Um monumento logo na entrada chama a atenção. Na base a seguinte frase do filósofo Catalão, Francesc Pujols: “O pensamento catalão rebrota sempre e sobrevive em seus sonhos enterrados”. A frase se encontra sobre um raíz de oliveira milenar.

Aqui começamos a notar as releituras de Salvador Dalí com relação aos clássicos do mundo. O corpo que está coberto por uma manta romana, e um ovo dourado que figura a cabeça, apoiada em uma mão, faz uma referência a obra: O Pensador, de Rodin.

Outros elementos que aparecem no monumento é o um busto de mármore de um patrício romano, com uma pequena cabeça acima, no caso essa é do próprio Francesc Pujols, autor da frase na base da obra.

O átomo representa a ciências, uma das paixões de Salvador Dalí.

Outro ponto curioso, agora na fachada do prédio, encontramos um mergulhador. Está alí para nos fazer referência a imersão e das profundidades do subconsciente.

Por fim, encontramos muitos manequins ao redor de todo o prédio. Uns seguram barras de pães (símbolo do nascimento) outros seguram muletas (símbolo daliniano) outros seguram os átomos (referência a paixão de Dalí pela Ciências).

Pátio

Agora já estamos dentro do Teatro-Museu.

Então Dalí nos convida, em nossa visita, para participar de um jogo, um ritual. Ele nos recorda que a nossa contribuição nos converte em espectadores e criadores da vez.

Esse espaço foi o primeiro espaço do museu, faz parte do antigo Teatro-Museu da cidade de Figures, o local que Dalí fez questão de deixar exatamente da mesma maneira como ficou após o incêndio. 

A céu aberto, com inúmeros objetos para a gente descobrir e fantasiar cada um deles. 

Começamos pelos manequins, os mesmos que encontramos lá fora voltamos a encontrar aqui, desta vez eles estão nos dando as boas-vindas, todos com os braços abertos.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Pátio
O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Pátio

Começamos então pelo Cadilac ao centro do pátio.

O automóvel foi um elemento muito presente nas obras de Salvador Dalí e começa a aparecer na arte daliniana como símbolo da modernidade, juventude, energia, força, audácia, movimento e também como inovação e rebeldia.   

O Cadilac em questão foi um presente de Dalí para Gala, utilizado em uma viagem no Estados Unidos, onde sua musa inspiradora percorreu toda a costa do País.

Conhecido como o: O Táxi Chuvoso, essa obra une diversos elementos completamente distintos para chegar na sua arte final.

Os vidros quebrados, um motorista e uma passageiro, fazem referência ao Al Capone (uma mafioso Italiano), onde Dalí sugere um suposto ato de vandalismo. Encravado no peito do passageiro, caracóis, muito presente nas refeições catalãs. Por fim, a chuva dentro do táxi é para satisfazer os caracóis.

Se olhar para cima irá se deparar com gotas d’água, uma alusão a chuva que cai dentro Táxi.

Mais uma referência a sua musa é o barco e o guarda-chuva que visualizamos em cima do carro, ambos pertenceram a Gala. Note que estão sendo estabilizados por muletas e também pelo Escravo dalinizado, releitura da obra de Michelangelo: Esclavo moribundo.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Pátio

Alguns dos elementos aleatórios que vale a pena apreciar neste espaço.

Lanternas modernistas: assim que atravessar a porta de entrada para o pátio, olhe para trás e note as duas lanternas modernistas que emolduram a porta central. São originais do metrô de Paris e descansam sob um suporte de fósseis de caracóis dos Pirineos.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Pátio

Jardins: espalhado pelo pátio podemos visualizar jardins que formam a letra G, mais uma maneira de homenagear sua esposa, Gala. Talvez fique mais fácil identificar o detalhe conforme você for andando pelo Teatro-Museu, que contorna o imponente Pátio.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Pátio

Imagens fantasmagóricas: essas estão espalhadas ao redor do pátio, esse grupo escultórico está formados por múltiplos elementos, exemplo: caracóis, pedras do Cabo de Creus, ramos de árvores da cidade Figueres, restos de gárgulas da igreja de Sant Pere (também incendiada durante a Guerra Civil), uma fonte antiga e abandonada pela cidade de Figueres. Onde o artista ia colecionando e criando a sua arte. Dalí dizia que: “todo material é informação”.  

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Pátio

Para tudo isso fazer sentido, buscamos entender o que o artista pensava. Dalí dizia: “Sempre se deve proceder por acumulação e nunca por seleção. O tempo e o espaço se encarregam de ordenar o resto”. 

Cúpula

Chegou o grande momento de entrar na sala da Cúpula, o elemento mais emblemático do Teatro-Museu. Já avistamos ela de fora e também assim que pisamos no Pátio. 

A cúpula geodésica (cúpula geodésica é uma estrutura arquitetônica utilizada pelas mais diversas civilizações desde a antiguidade.) é considerada o símbolo de unidade e monarquia.

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Cúpula
Salvador Dalí disse: “Começar a casa pelo telhado.  Assim como fizeram os grandes arquitetos do Renascimento. O que eu primeiro imaginava era a cúpula”.

Passamos então para a grande tela ao fundo e centralizada, o busto com uma abertura no peito trás uma paisagem fantasmagórica alusão a obra de Böcklin – A Ilha dos Mortos, as pedras e o mar aludem a paisagem de Cabo de Creus, local que o artista gostava tanto e sempre faz alusões ao local.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Sala da Cúpula

Bem ao centro desta sala, uma lápide. Dalí deixou bem claro que gostaria de ser enterrado bem debaixo da cúpula do Teatro-Museu. Seu pedido é uma ordem e lá está Salvador Dalí!

Vamos viajar por alguma elementos que compõem esta sala.

Vamos direto para as duas grandes mãos. Se isso te lembrou algo, provavelmente você esteja no caminho certo, mais uma referência ao artista Michelangelo e uma clara alusão a Capela Sistina.

Do mesmo lado, um pouco mais escondido encontramos a figura de Hércules, erguendo uma coluna. A brincadeira de trazer uma coluna de verdade enquanto o Deus Grego é apenas uma pintura é uma das maneiras daliniana de expressar o surrealismo.   

Para mim, um dos quadros que mais chamou a minha atenção está exatamente do lado oposto. Uma curiosa tela que parece estar pixelada e dependendo da sua distância com relação a tela você irá encontrar diferentes figuras. Se você se encontra próximo da obra verá Gala, nua, olhando para o mar. Agora se estiver distante, irá reconhecer o rosto de Abraham Lincoln.

Seguindo o pensamento de Dalí sobre a acumulação, nos deparamos com um poste de luz. Do qual o próprio artista o encontrou e fez questão de colocar em um lugar visível, alegando que esse objeto do museu será o mais interessante para os arqueólogos no futuro.

Cabeça do Beethoven: não seria tão interessante se não fosse o método do qual Dalí utilizou para criá-lo: lançando Polvos vivos sobre o papel e aproveitando a tinta para os traços. Criativo, não?

Sala do Tesouro

A Sala do Tesouro está toda coberta por tapeçaria vermelha, para fazer uma alusão ao um cofre. É aqui que encontramos as obras mais importante do Salvador Dalí e também as que ele mais gostava. Gala, sua musa inspiradora está por todos os cantos.

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Pão

Ao entrar na sala, uma das primeiras obras que avistamos é: O Pão.

Sobre a obra, Dalí comenta: “Eu pintei este trabalho por dois meses consecutivos, quatro horas cada dia. Durante este período aconteceu episódios mais surpreendentes e sensacionais da história moderna. Este trabalho foi concluído um dia antes do fim da guerra. Pão tem sido sempre um dos mais antigos e fetichista temas obsessivos de meu trabalho, que a quem me mantive fiel. Dezenove anos atrás eu pintei o mesmo assunto. Se você comparar as duas obras com cuidado, você pode estudar a história da pintura, do encanto linear para o estereoscopia, esteticismo e primitivismo. Este trabalho normalmente realista é o que satisfez minha imaginação. Aqui é uma pintura sobre a qual nada pode ser dito: O enigma total!”.

Ressalvo ainda mais algumas importantes obras:

 

 

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
O espectro do Sex Appeal

O Espectro do Sex-Appeall: onde vemos um o Dalí pequeno, vestido de marinheiro, contemplando um enorme monstro, em um tempo que para o artista simboliza a sexualidade.  Situado em Cabo de Creus. Está obra é a definição concreta de um sentimento de difícil percepção: o monstro da sexualidade. Note ainda mais uma vez as muletas que estão a sustentar o tal monstro.

Port Alguer: Representa a cidade de Cadaqués. Cidade praiana, onde o artista tinha uma casa de veraneio que inclusive virou o Museu de Dalí, onde conta sobre a vida secreta de Salvador Dalí. Nós já comentamos sobre a cidade de Cadaqués, leia aqui.

 

 

Sala de las Pescaderías

Esta sala tem este nome, pois quando o teatro estava em ruínas essa parte do teatro foi utilizado como mercado de peixeAs obras encontradas aqui dentro não seguem nenhuma ordem cronológica ou artística.

Bem ao centro da sala a gente se depara com um espelho, feito para você sentar e apreciar a arte pelo estereoscópio, talvez tenha fila, mas fique calmo e viva essa experiência.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
estereoscópio

São duas obras para serem apreciadas com percepções da terceira dimensão. Não se esqueça de se mexer (para um lado e para o outro) para conseguir ver e compreender a imagem.

Bem em cima do estereoscópio, um lustre no formato de um Átomo, que segundo Dalí: “A Teoria dos Átomos contempla o mundo como uma esponja do céu”.

Nesta sala também encontramos algumas obras de bastante relevância.
Muchacha de Figueres -foto retirada do site do Teatro-Museu
A Imagem desaparece – foto retirada do site do Teatro-Museu

A Imagem Desaparece: uma das mais famosas imagens duplas desenvolvidas a partir de um método paranóico crítico. Inicialmente podemos enxergar uma mulher lendo uma carta. Mas se olhar com bastante atenção notará que a moça irá se transformar em parte do rosto do Velázquez, pintor espanhol. Notou?

Se ficou curioso para compreender esse tal método, aqui vai: ferramenta que Dalí propôs para a apreciação da arte surrealista, estava calcado em uma aceitação das projeções motivadas pela paranóia. Dalí chamava o conteúdo destas novas imagens de irracionalidade concreta. Pois acreditava que elas precisavam ser interpretadas através da “loucura do raciocínio”.

O público, dentro dessa lógica, seria atingido pelas imagens como se elas tivessem sido criadas por sua própria mente. Não se trataria mais de apreciá-las pelo viés do artista, cujo simbolismo só a ele pertence, mas sim através dos olhos do próprio espectador, com os significados por ele atribuídos e projetados. Uma vez experimentadas por intermédio da obra de arte, essas projeções deveriam ser analisadas de forma crítica, avaliadas pelas pessoas para quem elas significavam algo.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Auto-retrato com bacon frito

 

Auto-retrato brando com um bacon frito: Uma imagem de um rosto que está derretendo, que Dalí considera o seu auto-retrato, está sendo segurado pelas famosas muletas, e um bacon frito. Esse último, representa a matéria orgânica e também o cotidiano dos cafés da manhã do artista.

 

Cripta

Estamos mais uma vez no centro da Cúpula (porem agora na parte debaixo dela). Local onde vamos encontrar a cripta do Salvador Dalí, feita com pedras de Figueres.

Quando ainda tinha 38 anos, escreveu sua autobiografia: A vida secreta de Salvador Dalí, e de lá foi retirada a seguinte frase: E o que é o céu? Onde está? O céu não se encontra nem em cima e nem em baixo, nem na esquerda e nem na direita. O céu se encontra exatamente no centro do peito do homem que tem fé! Neste momento todavia não tenho fé e temo que morrerei sem céu.

Sala Mãe West

A sala mais icônica e talvez a mais maluca do Teatro-Museu. Ao entrar você irá se deparar com vários elementos que remetem a uma sala de estar, mas acredite, é um rosto de uma mulher. Que pode ser reconhecido facilmente assim que você subir as escadas e olhar diante da lente de redução.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Mãe West

A criação da habitação é uma aplicação tridimensional, a partir de uma imagem bidimensional.

Muito provável que tenha fila para que você consiga chegar até o local onde irá de fato visualizar o rosto de uma mulher, mas aproveite para admirar as inúmeras obras de arte espalhadas pelo espaço.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Mãe West
O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Cabeça de Michelangelo

Outras atrativas obras que encontramos nesta sala são três obras de exemplos da complexa arte Daliniana, no qual o artista faz referência a arte clássica e a mitologia com tendências vanguardistas.

  • Cabeça de Vênus
  • Venus de Milo
  • Cabeça de Michelangelo

Segundo e Terceiro Andar

Temos muito para explorar ainda, então vamos subir para os próximos andares e notar como Dalí pensava em todos os detalhes, não deixando um espaço se quer vazio.

Ao encontrar as escadas, você irá se deparar com uma fantasia de um pierrot, uma roupa legítima Dior. Disfarce utilizado por Salvador Dalí e outra igual por Gala, em uma baile de Veneza. Já pensou estar no mesmo baile que Salvador Dalí e não reconhecê-lo? Na parede podem encontrar uma fotografia do casal chegando ao baile.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.

Você não vai perceber, mas ao passar pela porta (sentido as escadarias) olhe para trás e notará uma curiosa obra de arte, sim é uma obra de arte. Onde mais uma vez Dalí reúne elementos que parecem não fazer sentido algum e no final conseguimos captar a sua ideia, um rosto.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Rosto da Boneca
O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Pintura de Antoni Pitxot

O Segundo andar do museu é dedicado permanentemente as obras de Antoni Pitxot, um pintor também nascido na cidade de Figueres e foi diretor do Museu-Teatro Salvador Dalí e vice-presidente da Fundação Gala-Salvador Dalí.

As obras de Pitxot estão no Teatr-Museu desde a sua inauguração e no dia da abertura Dalí declara que: “Pitxot representa o amor fanático, o fanatismo pelas pedras de Cabo de Creus suas reproduções com uma espécie de hiper realismo e de fetichismo total. E é com esse espírito que devemos contemplar as composições de Antoni Pitxot.” Você irá realmente entender o fanatismo do artista após ver inúmeras telas pintadas de uma única maneira: com pedra.

No terceiro andar, encontramos uma pequena sala: Obras-primas.

Sala que está reunido algumas das obras que Dalí foi colecionando ao longo do tempo. De diferentes épocas e diferentes estilos. Ainda podemos encontrar também algumas obras de Dalí que o mesmo considerava intemporais.   

Uma das obras mais chamativas é a Monalisa de Bigode, que pode até parecer obra de Dalí mas não é, mas seria justo ele tê-la em sua coleção. A obra é do francês Marcel Duchamp, em sua paródia da famosa obra de Leonardo da Vinci, Duchamp nomeou a obra como: L.H.O.O.Q. “Elle a chaud au cul”, que em português seria “Ela tem fogo no rabo”.

Palácio do Vento

É a sala queridinha de Dalí, justo, foi aqui que o artista expôs a sua primeira obra aos quatorze anos.

A obra principal que leva o mesmo nome da sala é baseada no poema do Joan Maragall, O Palácio do Vento. Que faz alusão a ventania da região de Emporda, caracterizado pela sua força. Segundo Dalí, essa sala representa o seu apartamento, a direita, o quarto, a esquerda seu escritório e ao centro a sala com as suas obras.

Assim como todas as obras de Salvador Dalí, essa também está recheada de elementos “perdidos”. Aceite as cadeiras disponíveis no salão para descansar e encontrar cada um desses elementos.   

Dalí explica que essa pintura é um paradoxo, que quando o visitante olha até em cima verá nuvens, o céu e duas figuras suspendidas, mas que na realidade, é um golpe de efeito teatral, e que no lugar do céu se vê terra e, no lugar da terra, o mar.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Palácio do Vento

A pintura é uma espécie de armário, com gavetas abertas de boca para baixo que derramam todo o seu conteúdo: uma chuva de ouro, tanto espiritual como material sobre Figueres, Emporda e nos visitantes.

Ao centro encontramos Dalí e Gala de costas, uma tradição nas primeiras pinturas surrealistas.

Na direita da grande pintura, Dalí e Gala reaparecem, contemplando um dos quadros favoritos de Dalí: Peregrinação a Ilha de Citera, de Antoine Watteau, pintor francês, cujo a obra em questão se encontra no Museu do Louvre.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Palácio do Vento

Já na esquerda, podemos contemplar parte da imaginação daliniana. As moedas de ouro mais uma vez fazendo referência a chuva de ouro. Dalí se declara místico e diz que os místicos têm paixão pelo ouro. Avistamos também o elefante com patas de inseto, uma temática que se repete inúmeras vezes na obra do artista. A silhueta de amigos, assim como dos Reis da Espanha: Juan Carlos I e Sófia.       

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Palácio do Vento

Dentro da sala que representa um quarto vamos encontrar sobre a cama uma pintura com um elemento muito conhecido na arte de Salvador Dalí: o relógio derretendo, um objeto de múltiplas interpretações. Sem muita definição por parte de Dalí.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
O relógio

Enquanto na sala classificada como a sua oficina, encontramos um pouco mais de Gala e também algumas obras em homenagem ao Velázquez, um pintor espanhol que já mencionamos aqui.

Dalí criou um holograma e declara: “Todos os artistas estão interessados na realidade tridimensional desde a época de Velázquez, e em tempos modernos o cubismo analítico de Picasso voltou a tentar capturar as três dimensões de Velázquez. Agora, com o gênio de Gabor (engenheiro elétrico, a possibilidade de um novo renascimento na arte se faz graças ao uso da holografia. Me abriu uma porta nova casa de criação.

Na holografia, que encontramos na oficina de Dalí é possível com muita atenção contemplar o quadro: As meninas, de Velázquez, ao fundo da mesa de carteado.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Holos! Holos! Velázquez

Torre Galea

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Torre Galatea
O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.
Obra com ilusão de óptica

A última torre do Teatro-Museu, que assim como todo o resto, também foi desenhada e planejada por Salvador Dalí. O artista, desde a sua infância, sentia uma paixão pelos efeitos relacionados a visão, para provocar uma percepção especial do mundo sensível, combina e adéqua a técnica artística com a tecnologia científica mais destacada na época.

Jogos ópticos e estereoscópios. Os estudos pelo mundo do ilusionismo óptico tem sempre em Dalí uma finalidade filosófica. Seu desejo é dar sustância aos sonhos, aos desejos e aos medos.

Chegamos então a sala mais interativa do museu, onde você deve brincar com as imagens, se movimentar para ter diferentes percepções de uma mesma tela, uma mesma obra. Se aproxime, se distancie e se divirta!

Assim que entramos na Torre Galea, nos deparamos com uma enorme figura que eu sugerir ser o homem de lata. Diríamos que é quase isso. Trata-se da princesa cibernética, na verdade uma homenagem a princesa Tu Wan (II a.C) descoberta em 1968 na China. Ela está coberta com placas de computador e rodeada de sedas florais que simbolizam a sua cultura.

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Princesa Cibernética

 

As variantes do bigode de Dalí

A única exposição itinerante dentro do Teatro-Museu é a de fotos do bigode do artista.

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As variantes do bigode de Dalí

São 23 fotos, que foram tiradas pelo fotógrafo americano, Philippe Halsman. Philippe alegou que livros foram escritos sobre Dalí, mas que nunca ninguém valorizou uma pequena parte do artista, o bigode! O ensaio foi feito e muitas das fotos foram divulgadas no livro do próprio Salvador Dalí, mas essas fotos que rodam o mundo são pouco conhecidas e altamente valorizadas.

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As variantes do bigode de Dalí

Joias de Dalí

Em 1999, a Fundação Gala-Salvador Dalí adquiriu a coleção de joias desenhada por Dalí.

Dali conta que: “As peças foram criadas para melhorar a visita, exaltar o espírito, despertar a imaginação e expressar convicções. Sem público, sem a presença de espectadores, essas jóias não cumpririam a função para qual foram criadas. O espectador então, se converte em artista final. Sua visão, seu coração, sua mente, se misturam e captam com maior e menos entendimento a intenção do criador.

Esse post foi escrito com base na minha experiência pelo Teatro-Museu e também com auxilio de informações retiradas dos livros: Guia Teatro-Museu Dalí e Foto Guia Teatro-Museu Dalí.

Como Chegar

Trem: Barcelona e Figueres estão conectadas por trem. Existem duas estações de trem diferentes: Figueres, no centro da cidade, onde chegam todos os trens regionais procedentes de Barcelona. Figueres-Vilafant, mais afastada (a 1,5 km do centro) onde chega o trem-rápido (AVE e o Avant). São cerca de 50 minutos via o trem-bala e 2 horas pelo trem regional.

Ônibus: Operado pela empresa Sagalés. O tempo de viagem é de 2 horas e 30 minutos.

Excursões: Existem várias agências que oferecem excursões para o Museu-Teatro Dalí, se atente a não pegar uma excursão que faça outra cidade no mesmo dia, exemplo: Girona. Os dois destinos merecem atenção e muito mais do que meio período. Leia aqui sobre a cidade de Girona.

Carro: Via AP 7, são 145 Km.

Salve o post do Teatro-Museu Salvador Dalí para ler mais tarde.

O Teatro-Museu de Salvador Dalí, localizado em Figueres, cidade onde nasceu o artista, é um espaço que foi planejado pelo próprio Dalí. Cada canto, cada espaço tem uma arte e um porquê.

21 comments

  1. Estou completamente encantada por esse lugar, Mayte! Sou fã de Dali, vi uma exposição dele aqui no CCBB Rio há um tempo, mas nada comparável à beleza de estar ao vivo nesse museu incrível. Acho que ficarei sem palavras. Sobre seu post: adorei a forma como você nos conduziu pelo museu, sala por sala. Me senti numa visita VIP desde aqui do Brasil 🙂 Adorei os detalhes tambem, toda informação que deu foi essencial para me fazer apaixonar ainda mais pelo homem e pela obra! Fora a arquitetura que achei divinamente louca, como era o nosso amigo do bigodinho 😀
    Suas fotos ficaram lindas, e já quero levar tudo em pdf embaixo do braço para quando for ver tudo ao vivo! 😀

  2. Eu ainda estou como você estava, mora em Barcelona a mais de 1 ano, já morei por aqui em 2008, já fui até Cadaques mais ainda não conheço o museu do Dali, vou ter que ir né. kkkkkk

  3. Dali foi um artista brilhante, um homem excêntrico que marca a história da arte do séc.XX, sobretudo na impulsão do surrealismo. Não sou propriamente um fã das obras dele, mas gostaria de visitar este museu, sem duvida!

  4. Mayte… teu post està fantàstico! Ou melhor: teu guia està fantàstico!
    Fiquei um bom tempo nele, “caminhando” e tentando decifrar suas indicações nas fotos. Em algumas, confesso que não rolou! Tive que googar e mesmo assim, nao deu! Preciso conhecer de perto essa loucura!
    😉

  5. dali realmente tinha umas ideias bem malucas! gostei dessa assimilacao com as gavetas, ja tinha lido sobre as ~gavetas da mente~ na faculdade, porem nao relacionaram as obras de dali nas aulas de historia da arte, pode ser que seja so museu? nao sei dizer, mas gostei do que vi por suas fotos e com ctz deve ser uma experiencia bem diferente e maluca hauehae

  6. oi Maytê… devo dizer que estou maravilhada com este texto! Um passeio magnífico este que você me levou, já começando pela foto de capa: muito Dalí!!!

    As obras em si são espetaculares, bem teatrais como ele se pretendia ser, mas o fato de terem significados, individuais e em conjunto, eleva suas obras a outro patamar!!! Mexe com muitos sentidos nossos ao mesmo tempo! Esse lugar para mim é um verdadeiro parque de diversões!

    Definitivamente eu me sentiria muito bem vinda com aquelas boas vindas de braços abertos! “Todo material é informação!” – SIM!!!!

    Oh! Não sabia do túmulo! Para ser honesta, eu não sabia nada sobre este magnífico museu, a não ser sua localização.

    Eu estou fascinada: com as obras expostas, com a histórias interligadas… as pinturas ganham sempre meu coração, mas o que é aquele rosto espetacular formado por objetos tão distintos?! As brincadeiras (ou ironias) com outros mestres da arte…

    Obrigada por este passeio estupendo! Este museu definitivamente me levará de volta a Cataluña. Para concluir: o texto está lindo. Você nos conduz pelas obras de Dalí, lindamente!!!! Obrigada, obrigada, obrigada!

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