Como é trabalhar na Disney

Você já se imaginou tendo o Mickey como seu chefe ? Já parou para pensar como é trabalhar no mundo encantado de Walt Disney ? A Giovana passou três meses trabalhando na terra encantada, e ela nos contou que além de muita magia, lá também existe trabalho árduo e é necessário ter muita disciplina!

Essa semana o #Partiu vai direto para terra do ratinho mais carismático do planeta e te conta como é viver a Magia Disney por uma temporada.

Por: Giovana Dorneles

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Desde que me conheço, sempre gostei do que a Disney representava para as crianças e para mim. Quando pequena, a minha princesa favorita era a Bela Adormecida (embora, tivesse muito medo da Malévola) e minha mãe disse que perdeu as contas de quantas vezes eu já assisti esse filme! Aliás, sou filha única e tinha uma companheira imaginária que batizei de Aurora.

Quando decidi fazer o curso de hotelaria, sabia que era uma profissão de trabalho árduo mas muito gratificante. O que não sabia é que eu iria me apaixonar por ela! A faculdade não é das mais difíceis de cursar. Pelo contrário, sempre me diverti nas aulas práticas de recepção, gastronomia e governança.

DisneyE foi nessa faculdade que soube da existência do “International College Program” da Disney. Esse é um intercâmbio que a Disney World promove para estudantes do mundo inteiro, para trabalharem e vivenciarem durante 02 ou 03 meses o que é a tão falada magia Disney.

Depois de um demorado processo de recrutamento, recebi o retorno via e-mail dizendo para preparar as malas, pois tinha sido selecionada!

Malas prontas, lá foi a garota do interior embarcar para a Orlando.O aeroporto ficou pequeno para a quantidade de pessoas que foi se despedir. A família inteira estava super feliz e orgulhosa e sabia que essa experiência seria muito importante pra mim!

Era a primeira vez que fazia uma viagem internacional completamente sozinha, tinha 21 anos e estava aterrorizada! Lembro-me que sentei ao lado de um senhor muito simpático que me acalmou e conversamos bastante (tenho “sorte” de sempre encontrar esses anjos em terra).

Chegando em Orlando, a equipe de boas vindas da Disney me levou para minha futura casa. A Disney possui quatro condomínios de casinhas/ apartamentos próximos aos parques. Esses condomínios são destinados para moradia de todos os “cast members” (como eles chamam os funcionários, pois fazíamos parte da magia, do show!), exceto aqueles que são naturais de Orlando.

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Em minha casa tinham 4 quartos e 7 americanas nada convencionais (rs!), elas já estavam morando há mais de um ano juntas e me receberam relativamente bem. Foi um pouco difícil conseguir me encaixar, visto que elas já se conheciam muito bem, falavam todas o mesmo idioma e tinham a mesma cultura. Por isso, eu quase não ficava em casa. Ou estava no trabalho, ou nos parques, ou nas casas de brasileiros que também viviam por lá.

Para não virar festa, a Disney impõe regras rigorosas e uma delas é que absolutamente ninguém pode passar a noite em sua casa (mesmo se essa pessoa for mãe, familiar ou outro cast member). Você também não pode entrar no condomínio após a meia noite e se você for pega fazendo algo errado, eles te mandam embora mesmo. Também não toleram muito barulhos excessivos como festas e bebidas e as casas são divididas entre maiores de 21 e menores de 21, por causa do consumo de alcoólico.

Além de nos atribuir as casas, a Disney também tem várias linhas de ônibus que circulam entre esses condomínios, parques, resorts e supermercados da região. Esse transporte é gratuito e funciona muito bem e pontualmente, basta você apresentar a sua carteirinha de identificação ao condutor.

Só sabemos onde e com o que vamos trabalhar após passar por quatro dias de orientação. Um deles é o famoso “Traditions”, onde nos ensinam o que é o complexo Disney e como a magia ali acontece.

Há também cursos online sobre como proceder em caso de emergência, primeiro socorros e um muito focado em segurança (principalmente quando se trata de crianças perdidas no parque).

Bom, essas orientações foram muito importantes para saber como se comportar e todas as regras. Mas o melhor foi encontrar as pessoas com as quais eu passaria os próximos três meses. As amizades que fazemos na Disney nos marcam de maneira muito especial, pois são como família e intensas. É com essas pessoas que também passamos o Natal e Reveillon, é com elas que nos divertimos no dia a dia e que aprendemos como é ser um “cast member”.

É chegado o dia de conhecer o meu local de trabalho. Estava mesmo torcendo para conseguir um lugar como o Magic Kingdom ou o EPCOT (amo esse parque!), mas fui designada para trabalhar como Food & Beverage em um Resort – O Caribbean Beach Resort. Confesso que fiquei um pouco desapontada, mas não tinha muito o que fazer.

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O Caribbean Beach Resort

Em meu primeiro dia de trabalho, tive que levantar às 04h30 da manhã pois iria servir o café da manhã que iniciava às 06h00. SIM, 04h30 da manhã!! Nunca fui uma “morning person”…rs!

Trabalhava na “praça de alimentação” do resort, ou seja, cada dia estava designada a fazer uma tarefa em um ponto de venda específico. Lembro-me do cheiro dos waffles que vinham em forma de Mickeys, os omeletes, as panquecas e também os cookies. Aquele café da manhã “bem saudável”, típico americano!

Esfreguei muito chão, lavei panelas até não querer mais, fritei muitas batatas, limpei mesa, fiz hot dog, trabalhei no caixa, repus o xarope de coca-cola na ilha de refrigerantes, fritei hambúrgueres, aprendi o que era um “western omelet” e no fim do dia, o meu cabelo e roupas cheiravam a comida.

Era muito interessante trabalhar nesse resort e confesso que escutava muito mais o idioma espanhol do que o próprio inglês. Como era um resort com o tema caribenho, a Disney colocava pessoas fluentes no espanhol para ser mais convidativo e original (muito espertos, não?).

A única parte boa de entrar cedo no trabalho, era que também saia mais cedo. Então, todos os dias (ou que todos) lá estava eu às 15h30 em um dos parques com a entrada totalmente gratuita! Isso sim era vida!

O Natal na Disney é ainda mais mágico, a decoração dos parques se torna mais linda e parece que realmente está em um conto de fadas. Mas o meu Natal foi ainda mais especial quando soube que minha mãe iria me visitar.

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Foto: Facebook Walt Disney World

Minha mãe fala pouco o inglês e nunca tinha saído do país até então. Fiquei tão feliz com a visita dela e por poder proporcionar e vivenciarmos tudo aquilo juntas. Nessa época do ano, recebemos um “blue pass” que permite além de sua entrada gratuita nos parques mais algumas para você presentear seus amigos e familiares, além de 50% de desconto em compras nas lojas ou restaurantes dentro do complexo.

Logo após a volta da minha mãe para o Brasil, me mudei para uma casa de brasileiras pois o programa das americanas já tinha chegado ao fim. Nos reunimos com mais amigos (quase 20 pessoas) e fizemos uma viagem a Miami com direito a cruzeiro ao Bahamas, praias paradisíacas e passadinha em Fort Lauderdale.

É sempre um enorme prazer falar sobre essa experiência. Agora já se passaram cerca de 08 anos e ainda tenho alguns momentos tão frescos em minha memória que parece que os vivenciei ontem. A Disney nos ensina a valorizar cada hóspede de uma maneira especial, nos ensina a enxergar a inocência de uma criança ao se deparar com o seu personagem favorito e eles têm o dom de nos transformar em crianças novamente e vibrar com cada show ou atração.

Posso dizer que vivi intensamente 03 meses de muita magia e aprendi por uma vida inteira!

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