Avignon – cidade dos papas e da alta gastronomia

Palácio dos Papas na cidade de Avignon

É impossível falar de Avignon sem mencionar a sua história. A cidade é bem bonitinha, mas a verdade verdadeira (na minha opinião) o que atrai mesmo são suas atrações históricas. A cidade foi minha base para uma viagem por um pequeno pedaço da Provence. Para explorar os cantinhos de Avignon e viver a minha primeira experiência de comer em um restaurante estrelado, foi necessário apenas um dia.

Era dia 24 de Dezembro. Por aqui já está virando rotina passar o Natal na França (que sorte a minha). Tudo por lá funciona normalmente neste dia, sendo assim a primeira parada foi no Mercado Les Helles. Não só com o intuito de conhecer o mercado, mas realizar as compras para a nossa ceia de Natal.

Pra mim, conhecer os mercados de uma cidade já é considerado uma atração turistica. Eu adoro entrar nesses lugares e me deparar com senhores e famílias fazendo a compra da semana, a mãe que ao mesmo tempo que está com a criança no canguru, tá escolhendo as cebolas e brigando com o filho mais velho que acha que o mercado é local de brincar! Tem como me sentir turista em um lugar desse? Esqueço o fato que estou fotografado verduras e especiarias e até acredito que posso ser confundida com uma francesa qualquer preocupada com a ceia de Natal. #sqn

Quando escolho uma cidade base, gosto de optar por apartamentos, sempre com o intuito de me disfarçar de local e explorar os mercadinhos como se fosse uma verdadeira local.

Compras feitas e guardadas, voltamos para a cidade…

Iniciamos o passeio pelo lugar mais icônico do cidade – Palácio Papal. É curioso pensar que os Avignon já foi o que é o Vaticano hoje. Foram 7 papas que lá residiram, entre 1309 a 1377. Um período conhecido como o Papado de Avignon.

Tudo isso aconteceu porque na época do Rei Felipe IV da França, o tal conseguiu com que o próximo papa eleito fosse um francês, Clemente V. Quatro anos após o início do seu papado o Rei conseguiu deslocar a sede papal para a cidade de Avignon. Gregório XI, também francês, foi o papa que retomou o papado em Roma. Mas não foi tão simples essa transferência, e entre 1377 e 1417 em Avignon residiram dois antipapas, e o cisma só foi encerrado com o Concílio de Constança quando o papado foi estabelecido definitivamente em Roma.

O Palácio é uma verdadeira fortaleza e está em excelente estado de conservação. Hoje faz parte da lista de Patrimônios da Humanidade da UNESCO como uma das maiores e mais importantes construções da arquitetura gótica da Europa. Está localizado dentro da cidade murada. Embora as fortalezas estejam sim muito bem conservadas, o interior abriga poucos detalhes originais daquela época. Após algumas reformas o espaço virou um museu, afim de mostrar como, e o que aconteceu ao longo desse período.

Palácio dos Papas na cidade de Avignon
Palácio dos Papas

O museu do Palácio Papal

É muito didático e interativo. Podemos então realizar uma visita um tanto quanto divertida pelo interior do palácio.

Na entrada cada um recebe um tablet, que faz o papel de guia. A diversão fica por conta de uma brincadeira, proposta pelo próprio aparelho. Devemos então buscar medalhas de ouro escondidas pelo palácio. Vamos acumulando até que no final da visita se todas as medalhas forem capturadas, ganhamos um prêmio. =D Nem só as crianças se divertem…

Outra parte divertida e muito curiosa é que existe um sistema de realidade aumentada. Ao apontar o tablet para determinado local, diante da tela podemos visualizar como era tal cômodo. Decoração detalhada e até mesmo ver como as pessoas trabalhavam. Pra mim, essa foi a melhor parte, já que hoje o palácio está muito cru por dentro e sem o auxílio da tecnologia seria necessário muito esforço da nossa mente criativa para entender como era e como funcionava tudo por lá.

Realidade aumentada do Palácio dos Papas
Realidade aumentada do Palácio dos Papas

Após o passeio seguimos para a nossa primeira experiência em um restaurante estrelado. Avignon conta com cinco restaurantes com estrela Michelin (confira a lista) e como era Natal escolhemos um bom restaurante como presente.

Nossa escolha foi pelo Maison Christian Étienne. Com um menu de almoço por 35€, achamos que valia a pena a experiência.

Com a reserva feita, chegamos no horário. Tenho certeza que meu paladar cada dia que passa e cada viagem que eu realizo é aprimorado. Isso se dá por conhecer sabores novos, combinações e texturas diferentes. Estou aprendendo também a me permitir viver a experiência gastronômica, sem torcer o nariz para elementos estranhos e até mesmo para aqueles ingredientes que não me agradam. Eu provo o todo, acredito que se tirar uma folha que seja pode fazer diferença no sabor final. Já entendi que a harmonização e a elaboração de um prato precisa ser apreciada por completa e não sem um ou outro ingrediente.

Uma coisa é certa: tenho me surpreendido! 

Comer em um restaurante estrelado é uma frescura sem fim! Gente que tira o seu casaco, gente que puxa a sua cadeira, gente que não deixa a sua taça secar, muita gente junta para colocar todos os pratos na mesa ao mesmo tempo (no mesmo minuto e no mesmo segundo). Mas a experiência do todo é muito bacana, embora eu não ligue muito para a frescura toda, é perceptível o cuidado com o cliente e isso pra mim vale muito. Até mesmo os que pedem o menu e o vinho mais barato da carta. Eu! =D

Peço desculpas, me empolguei com o almoço e com o momento que as fotos ficaram péssimas.

Após o almoço fomos sentido a Catedral da cidade, na qual estava tendo uma missa de Natal e resolvemos dar sequência na nossa exploração. Bem ao lado da Catedral, encontramos o Jardim do Rocher des Doms. Muito mais do que um jardim é um mirante, com vista para a Ponte Saint Bénezet. Um caminho direto entre o jardim e a ponte e é possível caminhar sobre a muralhas antigas da cidade.

Ponte Saint Bénezet na cidade de Avignon
Ponte Saint Bénezet

A tal ponte está pela metade. Mas um dia, já cruzou o rio Ródano e foi uma figura importante para o desenvolvimento da cidade. A ponte era o único cruzamento entre as duas margens do rio ao longo de toda a sua extensão, que vai desde o alto dos Alpes suíços, passando por importantes cidades como Genebra e Lyon para desembocar no Mar Mediterrâneo. Mas a força do rio destruiu algumas vezes parte dessa ponte, fazendo com que fosse reconstruída várias vezes. Devido a sua importância econômica pra Avignon. Até que uma mais nova e mais forte foi construída deixando essa no seu estado atual. 

A minha colega, Natália do Destino Provence conta que: “O nome da cidade tem dois significados possíveis: “cidade do vento violento” ou “senhor do rio”. Os dois são pertinentes, já que o Rhône é um rio importante da região provençal mas também é o corredor do mistral, o vento violento, frio e seco que desce dos Alpes e assola a região de tempos em tempos, e que por suas características contribui para produção de vinhos Côte do Rhône e Châteauneuf-du-Pape”. 

Ponte Saint Bénezet em avignon
Ponte Saint Bénezet

Sem muita preocupação com a nossa ceia de Natal (queria que todos os anos fossem essa calmaria) resolvemos caminhar pela cidade. Uma sensação de vazio tomava conta de mim, por saber que não estaria com a minha família naquela noite. Mas, o sentimento de felicidade por estar conhecendo mais um destino tentava suprir esse “buraquinho”. Atravessamos a Praça do Relógio em direção a Rue de la Republique, a principal da cidade. Aos poucos fomos nos afastando do centro, o movimento foi diminuindo. Hora de voltar para a casa! Já era final do dia, iríamos descansar e preparar nosso jantar francês a espera do bom velhinho.

2 comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.