Bosque de Omã – Onde a arte e a natureza se unem

Bosque de Omã, País Basco, Espanha

O Bosque de Omã, localizado no País Basco, na Espanha, é um museu a céu aberto. Um museu contemporâneo. Eu não entendo nada de arte, mas sei que isso não é clássico. Tronco de árvores se transformam em telas de pintura para o artista basco: Agustín Ibarrola. O portão de madeira vira uma entrada nada convencional para um museu, te conduz até a íngreme trilha de chão de terra que substituiu a comodidade de um elevador.

Me desculpem, este “museu” não está adaptado para portadores de deficiência.

Não tem paredes e muito menos calefação ou ar condicionado, por lá a temperatura é ambiente. Muito fresca por sinal – árvores enormes se responsabilizam pela sombra, enquanto a água fresca fica por sua conta. Bancos para apreciar uma obra? Não! O chão pode ser o seu banco. 

Não oferecem cafeteria, muito menos loja de souvenir. As lembrancinhas ficam por conta das fotos e das memórias guardadas. Se me permitem, essa é a melhor lembrança que você pode levar para a casa!

Ao todo são 47 obras que você pode contemplar ao longo de uma caminhada de 7 km, que podem ser percorridos em 2 horas por um caminho circular.

Bosque de Omã, País Basco, Espanha

As obras tratam de figuras humanas, animais e traços geométricos que são pintados em diferentes perspectivas. Um feito que o artista conseguiu ao brincar com o que a natureza construiu, os pinheiros. As pinturas se complementam em um, dois, três ou até mais troncos de árvores.

O objetivo de Agustín, era referenciar os nossos ancestrais com as artes paleolíticas unindo com a modernidade. A ideia de usar a natureza como tela para as suas obras é um movimento que já tem nome: Land Art, ou Earth Art. É o tipo de arte onde o artista utiliza a natureza para compor e interagir com a sua obra.

Bosque de Omã, País Basco, Espanha

Hey, se acalme-se! A tinta utilizada não agredir a natureza.

Mas o grande segredo do Bosque de Omã, nosso museu a céu aberto, é saber a posição exata para apreciar cada uma das obras. Caso contrário você pode achar que tudo isso que eu estou dizendo de ser tridimensional seja uma mentira.

Ao avistar as árvores coloridas, comece a buscar no chão as indicações enumeradas. Pise nelas, e olhe e-x-a-t-a-m-e-n-t-e para onde aponta a seta, fácil não? E pronto! Você estará diante de uma verdadeira obra de arte!

 

Experiência

Agustín Ibarrola defende que o Bosque de Omã deve ser vivido como uma grande experiência da natureza. Primeiramente ele diz que você deve brincar com os ângulos, e mesmo que exista uma indicação para que você possa admirar a obra de arte do lugar correto, ele aconselha: não leve isso ao pé da letra! Permita-se observar cada tela independente e não apenas o conjunto. Dessa maneira, a cada passo você pode se surpreender com uma nova arte!

Em seguida o artista diz que a natureza interfere muito no resultado final daquelas obras, a luz do sol, a neblina, a chuva, tudo isso tem impacto na coloração final seja do bosque ou das obras. E que visitar o local em dois dias ou até mesmo no mesmo dia, mas horários diferentes a sua visão e percepção de cada uma das obras será diferente.

Como Chegar:

Para chegar até o Bosque de Omã só é possível de carro. Uma possibilidade é fazer um bate-volta desde de Bilbao, ou utilizar o local como ponto de parada entre o seu deslocamento de Bilbao (Leia – O que fazer em Bilbao) a San Sebastian (Leia – O que fazer em San Sebastian).

Indico que coloque: Bosque de Omã no seu Google Maps e não tem erro. 😉 O local está ao lado da Cueva de Santimamiñe, que pode ser um bom ponto de referência de indicação das placas.

As Cueva de Santimamiñea é uma reserva onde você pode encontrar pinturas rupestres. São mais de 14.000 anos de história que em 2008 foi declarado como Patrimônio da Humanidade. Uma boa opção é unir os dois passeios em um único dia. Para mais informações sobre leia aqui.

Bilbao: 45 Km

Barcelona: 635 Km

Madrid: 427 Km

Saragoça: 332 Km

Trilha do Bosque de Omã

Como eu já disse, são 7km de trilha circular para percorrer as 47 obras. Mas, se assim como eu você não tiver tempo, ou disposição pode visitar só um pedaço e te garanto que já irá valer a pena.

Embora a trilha seja considerada nível fácil, para chegar até as primeiras obras é necessário fôlego para vencer as primeiras subidas. Alerta para os sapatos, não existe outra opção melhor do que o bom e velho tênis para isso.

Ao longo do caminho encontramos degraus que auxiliam a subida ficar um pouco mais leve e também corrimãos que ajudam a caminhada.

O passeio não é recomendado em dias de chuva, como você já deve ter percebido o local é aberto e o acesso pode ser prejudicado pelo mal tempo.

Para conhecer o local você não paga nada.

8 comments

  1. Muito interessante. O conceito de Earth Art está super em voga nos dias de hoje. Uma das exposições mais incríveis e marcantes que já vi até hoje foi do artista Bruce Munro. A primeira vez que vi o trabalho dele foi no Longwood Gardens e depois ví novamente em Alice Springs na Australia aos pés do Uluru.

  2. Muito interessante este conceito. Confesso que só as árvores já me bastarim como obras de arte, pois adoro tocar as texturas, observar as folhas, ouvir os sons produzidos numa floresta. Confesso que em alguns museus também me perco na arquitetura do prédio, não apenas nas obras. Ou seja, aprovada a ideia de museu!

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