Road Trip pelo Chile

Pegar um carro e conhecer um destino com calma e tranquilidade, ultimamente tem sido o meu estilo de viagem. Acredito que dessa maneira é possível conhecer realmente uma região,a sua cultura, gastronomia e seu povo. E foi nesse clima, de querer descobrir o Chile, que decidimos fazer um pedaço desse país de carro! De Porto Varas até Santiago, mais de 1.000 Km em uma viagem pra lá de diferente.

Descobrir o Chile, começou pelo Atacama e se você não leu o nosso post, clique aqui. De Calama, voamos para Porto Varas e nossa opção de hospedagem para as duas próximas noites foi uma cabana – Cabana Verde Nativo, foi uma ótima escolha para ficar todos juntos e super aconchegante para 4 pessoas, com uma pequena lareira para esquentar acompanhados de um bom vinho, para dar inicio na nossa segunda parte da viagem!

Dia 1 – Volta ao lago Llanquihue

Acordamos cedo, pois tínhamos que pegar o nosso carro e começar a viagem que iriamos rodar 200 Km, tranquilamente, para dar a volta no Lago Llanquihue, que está situado na região dos lagos do Chile e é o segundo maior lago desse país, o lago é rodeado de cidadezinhas charmosas com influências alemãs e ao seu redor dois vulcões – Osorno e Calbuco, ambos vulcões ativos, inclusive o Calbuco entrou em erupição em Abril de 2015, apenas uma semana depois que haviamos retornado (medoooo).

Lago Llanquihue - Chile
Lago Llanquihue – Chile

No verão esse região enche de turistas, devido aos inúmeros esportes de aventura ao ar livre, já no inverno nos resta apreciar o lugar que é belíssimo, curtir o friozinho e se quiser arriscar no esporte, pode optar pelo esqui.

Escolha o seu clima preferido e se jogue.
Saindo de Porto Varas, nós seguimos para o Parque Petrohué um parque lindíssimo que me lembrou um pouco o Yosemite. No verão o número de atividades é muito maior, mas no inverno não perde nada em beleza e vale muito a pena passear por lá e fazer algumas trilhas que revelam a verdadeira beleza do parque. A água de lá é algo sem palavras, um verde misturado com azul, uma beleza impressionante. Existem trilhas bem tranquilas para se fazer, pequenas com uma média de 30 minutos de caminhada leve e vale a pena você gastar parte do seu dia nesse parque, por isso a recomendação é sair cedo de Porto Varas para que você não fique com tempo contado. Outra opção é reservar um dia inteiro para o local (acredito que mais no verão). O cenário do parque fica ainda mais completo quando você avista o Osorno no fundo, completando aquela foto que já seria perfeita.

Parque Petrohue - Chile
Parque Petrohue – Chile
Parque Petrohue - Chile
Parque Petrohue – Chile
Parque Petrohue - Chile
Parque Petrohue – Chile

Continuando nossa rota, fomos até a Estação de Esqui de Osorno, o caminho até lá já é incrível, pois conforme vai subindo você vai tendo uma vista do lago e só assim você se da conta da sua dimensão e o quanto ele é grande, nós não esquiamos pois não era nosso objetivo, mas posso imaginar o quanto é incrível esquiar com aquela vista.

Estação de esqui de Osorno - Chile
Estação de esqui de Osorno – Chile

Seguimos então para Frutilar, para mim era a cidade mais aguardada do dia. Mas foi impossível bater o parque (aquele que eu não esperava muita coisa), não que a cidade seja feia, chata ou qualquer coisa do tipo, ela é uma gracinha, mas o parque foi a grande estrela do dia!

Frutilar, a cidade da música! Essa definição ficou muito clara assim que estacionamos nosso carro, escutamos uma gaita de fole, um som agradável vindo de um deck que avançava para dentro do lago com uma estrutura toda charmosa, continuamos a caminhar e um pouco mais adiante, avistamos uma escultura na beira do lago, era um piano de cauda, que servia de inspiração para os dois pombinhos, um casal de jovens que ali namoravam sem medo de serem felizes e então mais um pouco de caminhada (pouco mesmo, por que a cidade é bem pequena) e chegamos até o Teatro da cidade.

Futillar - Chile
Frutillar – Chile

O teatro é considerado o maior do país e o melhor teatro acústico já construído na América do Sul. Todos os anos o tradicional festival musical realiza concertos ao longo de duas semanas, chamado “Semanas Musicales” esse festival acontece no final de janeiro até a primeira semana de fevereiro. Esta atividade cultural traz milhares de visitantes todos os anos.

Teatro de Frutillar - Chile
Teatro de Frutillar – Chile

Havia lido muito que eu não poderia passar por lá sem provar o Kuchen, um doce típico alemão. Nós já estávamos no final do nosso dia e não tínhamos almoçado, nesse caso, pulamos direto para o sobremesa e a vontade era de ter almoçado e jantando aquele doce, que coisa maravilhosa! Entre tantas opções, a nossa escolha foi o Duendes del Lago.

Kuchen
Kuchen

Se você quiser se aprofundar um pouco mais na história da cidade, vá até O Museo Colonial Alemán  é o melhor lugar para aprender sobre Frutillar, 150 anos de história.

Enfim, voltamos para Porto Varas e partimos almoçar jantar. Ao lado da nossa cabana havia um restaurante de carne e foi lá mesmo que resolvemos jantar e por sorte, mais uma escolha certa! O restaurante era muito bom Cambalache Restaurante

Dia 2 – Valdívia

De Porrto Varas até Valdívia são um pouco mais de 200 Km, já sentido a Santiago.Chegando lá,uma decepção ,confesso que eu estava ansiosa para conhecer essa cidade, mas eu não gostei. Fomos até o Mercadão da cidade, mas não consegui nem entrar, pois o cheiro era muito forte e fiquei com uma má impressão do lugar, logo na frente tem uma espécie de shopping com várias lojinhas de artesanato, mas muito bagunçada com um cheiro forte também e quis me mandar logo daquele lugar. Pegamos o carro e fomos descobrir a cidade, ela não poderia ser tão ruim! Chegamos até a Cervejaria kunstmann que fica um pouco mais afastada da cidade, ali na região o que não faltam são cervejarias e vale a pena parar em uma delas para conhecer.

A Kunstmann tem uma opção bem bacana para quem quer tomar uma cerveja diferente, eles oferecem uma “tábua” de mini degustação com todas as opções da casa (20 opções). Como ainda era “cedo” e nem almoçado nós tínhamos dividimos essa mini degustação em 4 pessoas. A cervejaria também oferece um restaurante que pode ser uma boa opção para um almoço alemão, nós decidimos buscar outra coisa e ficamos com um bom ceviche peruano El Huarique e foi uma boa escolha, restaurante simples e gostoso, atendimento bom, rápido e barato!

Cervejaria kunstmann - Chile
Cervejaria kunstmann – Chile
Cervejaria kunstmann - Chile
Cervejaria kunstmann – Chile

Seguimos então para o nosso destino final desse dia, a cidade de Pucón que estava à 150 Km de Valdivia.

Dia 3 – Pucón e Termas

Pucón tem muita coisa para fazer se não estiver chovendo e nem muito frio, como essa era exatamente a nossa realidade tivemos que adaptar o roteiro. Dizem que Porto Varas é a nova Pucón, pois ambas as cidades oferecem esportes de aventura, treking para subir até o vulcão e opções de esporte marítimo é o forte de ambas as cidades.

Eu senti que a cidade era um pouco ao estilo de Campos de Jordão, mas lá tem opção de atividades para o ano inteiro e uma atmosfera romântica. A região de Pucón conta com uma variedade enorme de termas, e essa seria a única saída para um dia de chuva. A nossa escolha foi o Lodge La Montana, pois esse era uma das poucas opções de termas coberta, fechamos o pacote de day use junto com o almoço e foi um dia super relaxante, pois as termas ajudam a relaxar e o restaurante, além de uma comida divina tinha uma vista super agradável. O dia começou frustrante e acabou super zen. Que bom, por que nós ainda tínhamos mais 100 Km até Temuco que seria nossa cidade base aquela noite.

Restaurante do Lodge La Montana - Chile
Restaurante do Lodge La Montana – Chile
Dia 4 – Lota

300 Km nos aguardavam nesse dia, e foi um dia pra lá de diferente! Acho que nunca pensei em fazer o que nos aguardava para esse dia. No meio do nosso caminho paramos em uma cidadezinha chamada Lota para conhecer uma mina de carvão, no começo minha mãe e eu estávamos um pouco desconfiadas e os meninos animados com essa aventura, ao chegar lá quem nos atendeu foi um ex mineiro,comecei achar que aquilo seria diferente e interessante.

Mina Chiflón del Diablo - Chile
Mina Chiflón del Diablo – Chile

Uma das minas de carvão chilena mais antiga, operada entre 1857 e 1990. Em 2009, a mina foi declarada um monumento nacional do Chile, sob a categoria de Monumento Histórico. Após o encerramento da mina para exploração, começou a ser estudada a possibilidade de ser um destino turístico da região.

Inicialmente conhecemos o pequeno vilarejo onde os mineiros e seus familiares viveram por vários anos, além de pequenas casas que contavam apenas com um único ambiente para a sala e “cozinha” (fogão e pia) e no andar superior um único quarto para toda a família e pinico para as necessidades básicas, conhecemos também a “vendinha” e nos foi explicado que não existia dinheiro, o pagamento era uma cesta básica por pessoa que trabalhava na mina, mas pense você que naquela época as mulheres não trabalhavam e só os filhos homens que a partir de 14 anos podiam ajudar os seus pais na mina, então o mineiro nos falou com todas as letras que era preferível ter filhos homens a ter mulheres naquela época. E ao nos apresentar a casa, nos contou várias histórias, já que ele mesmo havia vivido ali quando criança.

Mina Chiflón del Diablo - Chile
Mina Chiflón del Diablo – Chile

Hora de descer 25 metros para baixo da terra, foi muito interessante ouvir as histórias, os costumes, mitos, lendas e até passar pela experiência de desligar os faróis e ficar totalmente no escuro ouvindo apenas o vento.

Mina Chiflón del Diablo - Chile
Mina Chiflón del Diablo – Chile

Passar pela experiência de ficar no escuro, enquanto o ex-mineiro nos contava alguns casos (terem que passar dias presos naquele lugar) foi bem chocante e nunca imaginei alguém passando por aquilo. Um passeio nada glamoroso, mas pode ter certeza que é uma experiência e tanto!

Mina Chiflón del Diablo - Chile
Mina Chiflón del Diablo – Chile

Seguimos para Concepcion, onde iriamos passar a noite.

Dia 5 – Concepcion – Talcahuano

Como só dormimos em Concepcion, seguimos para a cidade vizinha – Talcahuano e lá o objetivo era conhecer a Base Naval, na verdade só fomos conhecer o Huáscar, que é o navio mais velho da marinha chilena. O navio foi fabricado na Inglaterra a pedido do Peru em 1860 e foi capturado pelo Chile na Guerra do Pacifico e logo após a guerra virou um navio memorial.

Após esse passeio, seguimos para a nossa última parada antes de chegar em Santiago – San Fernando, que estava a 360 Km de distância. Chegamos em San Fernando no final do dia, o hotel era tão gostoso que ficamos por lá mesmo para descansar, compramos queijos e vinhos para comer no hotel. O Hotel Ontiveros era uma graça, um ar de Toscana, não sei se foi pelas cores, se foi pelo vinho, só sei que eu me senti em Toscana (mesmo que eu nunca tenha ido pra lá rs).

Dia 6 – Vinícolas

Reservamos esse dia, para conhecer duas vinícola, a Casa Silva – não sei ao certo o por que dessa escolha, olhamos na internet quais eram as opções e escolhemos essa, simples assim! A vinícola é muito bonita e eles oferecem tour com degustação, como era dia de semana tivemos a sorte de não ter mais turistas e fizemos um tour exclusivo. A Casa Silva é uma vinícola familiar e pequena, não se compara ao tamanho da Concha y Touro (que era nossa segunda escolha), foi muito bacana ter as duas experiências no mesmo dia, ver e entender a diferença de uma vinícola menor e uma maior. Ainda na Casa Silva, o ponto alto foi o passeio de bicicleta pelos vinhedos. O local oferece bicicletas de graça para você pegar e passear nos vinhedos, nós fomos até o restaurante do local que é um lugar belíssimo, mas acabamos não almoçando por lá.

Vinícola Casa Silva - Chile
Vinícola Casa Silva – Chile

Seguimos então para Santiago, e antes de chegar na cidade fomos para Concha y Touro a vinícola mais famosa do Chile. A Concha y Touro é bem mais comercial, eles não mostram o processo, nos contam mais a história da vinícola e claro do Casillero del Diablo, também fizemos a degustação e o que eu achei mais bacana é que fomos nos vinhedos onde foi possível provar os diferentes tipos de uvas, uma área para turista onde tem vários tipos de uvas usadas na fabricação dos vinhos.

Concha y Touro - Chile
Concha y Touro – Chile

E aí sim, chegamos em Santiago.

Leia Também: Roteiro para conhecer Santiago caminhando e 5 destinos para conhecer fora de Santiago

Em resumo foi uma viagem super bacana, como eu disse lá no início nós conhecemos mais afundo a cultura chilena, um país com paisagens incríveis, estradas excelentes e com ótima estrutura para turistas. Chile foi uma viagem incrível e ainda não acabou, pois entre os destinos que eu mais quero conhecer está a Patagônia, espero voltar em breve!

1 comment

  1. Adorei essa tua roadrip, Mayte!
    Um dia crio coragem e faço uma também.

    Me apaixonei pelo Parque Petrohué! Que lugar encantador!
    Uma amiga foi para Pucon alguns bons anos atràs e disse que foi a melhor viagem da vida dela (e ela jà havia rodado a Europa) e desde então, fiquei com muita vontade.

    Do caminho que você fez, quase fui para San Fernando.Queria visitar as vinícolas de Colchagua e li muito texto bom falando sobre a Casa Silva. Provavelmente teria sido a minha opção.
    😉

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