Por que você deve conhecer o Guggenheim Bilbao

Vista do Guggenheim Bilbao

A grande maioria das pessoas que vão explorar o País Basco, na Espanha, tem um objetivo em mente: conhecer o Guggenheim Bilbao. Não tem jeito, esse museu contemporâneo é como imã para os turistas. E não importa, goste ou não de arte é impossível passar por Bilbao e não visitar essa obra incrível de Frank Gehry. O Guggenheim está para Bilbao assim como o Louvre está para Paris. Vou te mostrar que mesmo que você não goste de arte moderna (assim como eu) esse passeio é obrigatório.

Devido ao seu porto, Bilbao havia sido um polo econômico no País Basco. Isso tudo, antes dos anos 70, que foi uma época pra lá de turbulenta para a região que durou uma década inteira. Foram crises econômicas – nacionais e internacionais, a entrada da Espanha para a União Europeia e para atrapalhar catástrofes naturais que destruíram parte da cidade, levando junto com as águas da inundação muitas das indústrias que afundarem e consequentemente levaram todo uma região ao “naufrágio”.

O plano para revitalizar Bilbao após o decadência das indústrias nos anos 80, fez com que as instituições Vascas entrassem em contato com a Fundação Guggenheim, em 1991. Afim de trazer um Museu contemporâneo para a cidade. O Guggenheim Bilbao foi o ponta pé para erguer a cidade e atrair turistas e negócios. Hoje Bilbao é considerado um polo de desenvolvimento europeu e também uma das cidades mais industrializada da Espanha, ficando atrás apenas de Barcelona.

Em Novembro de 2017, Bilbao foi eleita a Melhor Cidade Europeia, pela The Academy of Urbanism.

As curvas do Guggenheim Bilbao

Preciso começar dizendo que eu não sou fã de arte moderna, me desculpem, mas eu não consigo compreender esse tipo de arte. Mas, o Guggenheim é muito mais que um museu contemporâneo. Tanto o seu interior como o seu exterior foram pensados minuciosamente para envolver e cativar os visitantes. Curvas, ângulos, arcos, que nos deixam perplexos com tanto “movimento” em um único prédio. Acreditem em mim, as modernas exposições são detalhes perto da grandeza deste lugar. Essa sensação de movimento é real e tem justificativa: simboliza a transformação que está submetida às cidades do mundo. Em particular, Bilbao.

Curvas e movimentos do Guggenheim Bilbao
Entrada para o Museu

Talvez, ao bater os olhos naquela construção você ache que são só um monte de placas “tortas” que revestem um museu. Mas não, por favor, não pensem isso. Tudo tem uma explicação.

A Arquitetura moderna teve uma primeira inspiração: Ópera House de Sydney.

Frank O. Gehry, o arquiteto, por trás desse projeto fez uma referência a tradição naval da cidade, então logo na entrada principal do Museu é possível notar a silhueta de um barco. Já as escadaria que você vê na foto do lado esquerdo do barco leva o visitante direto para a bilheteria. Entrada essa que é bem pequena propositalmente, para que você se sinta pequeno perto da grandiosidade do local que você está entrando. 

Entrada principal deo Guggenheim Bilbao
Guggenheim Bilbao

Vale lembrar que as suas curvas fazem do prédio ser diferente a cada novo passo. Cada lado é completamente diferente do outro. Tudo isso para que você, visitante, tenha uma experiência distinta a cada olhar.  A complexidade da construção de um prédio como esse foi tão grande que o projeto foi desenvolvido em um programa que é utilizado para a construção de aviões e foguetes. Útil para projetar superfícies complexas baseada em linhas e curvas precisas.

Curvas do Guggenheim Bilbao
Guggenheim Bilbao

Cores e texturas do Guggenheim Bilbao

As maiores características do museu são a sua cor e a sua textura. O Guggenheim Bilbao está quase que em sua totalidade coberto por placas de titânio, e trazem uma nuance prateada e futurística para o local. O titânio tem uma peculiaridade que é a mudança da sua cor com relação a luz do dia. Sendo assim, quando o dia cai o prédio ganha uma coloração muito singular, o dourado. Que é possível notar, ainda que discreto na foto anterior.

Já a sua textura fica por conta de uma referência aos peixes. As escamas de peixes lá expostas são as lembranças de Frank, quando ainda pequeno que gostava de pescar. A junção do peixe e a tradição marinha da cidade formaram uma harmonia e tanto. 

Sobre o Museu Guggenheim Bilbao

Também vamos falar do interior do museu. Mas não espere algo comum!  Em geral, um museu ele segue uma rota com começo, meio e fim. Onde você deve seguir e ir passando sala por sala. Mas não no Guggenheim. Foi construído um átrio de 55 metros de altura no centro do prédio que interliga as 20 galerias, que estão distribuídas pelos três andares do recinto.

Grande átrio do Guggenheim Bilbao
Átrio interno

As galerias são independentes. A ideia é fazer o visitante sempre passar pelo átrio enquanto estiver de passagem de uma área para a outra. Sabe por quê?  Para não tornar a visita cansativa. Isso mesmo, o conceito oferece a possibilidade do visitante fazer uma pausa entre uma galeria e outra.

O átrio conta com uma parede de vidro, que cobre os três andares do prédio. Considerado o espaço de maior dificuldade na construção desse projeto ele é o centro das atenções para aqueles que se encontram dentro do museu. É praticamente a única abertura de todo o prédio, que além de iluminar, também tem a função de ser um museu aberto – onde você pode visualizar as obras que estão expostas do lado externo e ter uma ampla visão da ria.

Vista desde o átrio do Guggenheim Bilbao
Guggenheim Bilbao

A ausência de janelas e iluminação natural dentro das galerias foi a maneira como Frank encontrou para proteger as obras. Evitando a entrada da luz do sol e também do calor excessivo que faz no verão, assim mantendo todas as galerias com uma temperatura agradável e sem exigir muito dos ares condicionados, que também pode desgastar algumas obras.

A sala Arcelormittal é a maior galeria do museu Guggenheim. É considerada a maior galeria do mundo dentro de um museu. Foi pensada para reunir todas as condições necessárias para alojar enormes criações artísticas do mundo contemporâneo. São 2.768 metros quadrados de superfície dessa sala.

Sala Arcelormittal no Guggeheim Bilbao
Sala Arcelormittal

Sobre o Guggenheim e a sua Instituição

Guggenheim era filho de imigrante suíço, que fez dinheiro explorando minas de ouro, prata e cobre. Sua esposa, Irene Rothschild Guggenheim foi quem introduziu o marido no mundo da arte abstrata e criou o primeiro museu em Nova York para inicialmente expor a coleção particular da família.

São 3 museus Guggenheim no mundo: em Nova York, Bilbao e Veneza. Um quarto já está sendo construído em Abu Dhabi e tem previsão para abrir as portas em 2020.

Franck O. Gehry – O Arquiteto

Embora Franck tenha inúmeros projetos de sucesso em seu currículo foi o Guggenheim Bilbao o trabalho que te deu mais destaque. Considerado o mais importante de sua carreira.

Philip Johnson, o ganhador do prêmio Pritzker que seria algo como o “Prêmio Nobel” da arquitetura disse que o Museu de Bilbao lhe parece o melhor edifício dos nossos tempos. Forte não? Então, se você é um amante da arquitetura o Guggenheim Bilbao deve estar na sua wish-list.

Principais obras do Guggenheim Museu

Puppy

Puppy no Guggeheim Bilbao
Puppy

Essa é a obra mais famosa do museu. Um cachorro de 12 metros coberto por mais de 40.000 flores que são trocadas duas vezes ao ano. Em maio e Outubro. Dada essa informação, se você tem disponibilidade de datas, tente marcar sua viagem para o período que está mais florido. Teoricamente o Puppy se mantém florido o ano inteiro, mas quanto mais novas as flores mais bonitas elas se encontram.  Para conseguir se manter vivas as flores ao longo do verão e inverno, foi criado um mecanismo de irrigação na parte interna do amigo cão, que é ligada todas as noites e por uma hora e meia.

Trocar as flores do Puppy custa cerca de cem mil euros. E conta com vinte jardineiros trabalhando por dez dias nessa verdadeira obra de arte.

O Puppy está exposto do lado de fora do museu e qualquer um que esteja de passagem por lá consegue ver e fotografar a “cachorrinho”.

Tulipas

Tulipas no Guggeheim Bilbao
Tulipas

Jeff Koons, o mesmo artista que criou Puppy, criou um ramalhete de tulipas que pesa cinco toneladas e mede dois metros de altura. A pop arte, é uma obra que pertence a uma série chamada – Celebration. Criada com o intuito de transformar objetos banais em obras sedutoras. Tulipas são banais?  

Desenvolvida com um material refletivo, as Tulipas refletem boa parte do prédio do Guggenheim Bilbao. E é irresistível chegar pertinho delas para tirar uma foto sendo refletida nessa obra de arte que custou algo como 5 milhões de dólares.

Embora as Tulipas estejam do lado de dentro do museu, estão expostas no terraço, assim possibilitando que qualquer um veja essa obra.

Mamá

Mamá no Guggeheim Bilbao
Mamá

 

Mamá é a aranha gigante exposta do lado de fora do museu. A aranha de quase nove metro causa calafrios em qualquer pessoa que não seja lá muito fã dos aracnídeos (euzinha). É sério, ficar sob a Mamá não foi tarefa fácil.

A peça feita de bronze e também aço inoxidável não é a única no mundo. Louise Bourgeois, criou algumas Mamás que andam dando uma volta ao mundo em exposições itinerantes. E acreditem, a bichinha é tão impressionante que já conquistou fãs que dão a volta ao mundo junto com ela colecionando selfies com a tal. Não se preocupem, a Mamá do Guggenheim é fixa.

Essa obra de arte é uma homenagem da artista para a sua mãe, que era uma tecedora. Para dar ainda mais peso ao título Mamá, a aranha gigante carrega consigo ovos no seu abdómen.

E aí, o que você achou desse Museu?

 

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