História de Malta – Uma das zonas de maior concentração histórica do mundo

História de Malta

Talvez você não saiba mas Malta é um país, composto por três ilhas principais (Ilha de Malta, Comino e Gozo). Muitos nunca ouviram falar, outros já. Mas poucos sabem o tanto de fatos importantes que aconteceram nesse arquipélago que a natureza tratou de caprichar. Não é à toa que a UNESCO declarou Valletta, a capital do país, como Património Mundial e descreveu como uma das zonas de maior concentração histórica do mundo.

É muito comum as pessoas acharem que Malta faz parte da Itália, pela proximidade com a terra da macarronada, mas isso não é verdade. Considerada uma antiga colônia inglesa, Malta tem como segundo idioma o Inglês. Por isso o local é tão procurado pelos intercambistas. Eu mesma, vivi uma pequena experiência desse tipo. E contei aqui como foi estudar inglês em Malta.  

Malta pré-histórica

Malta não tem só beleza natural, quando o assunto é história o país também dá show! E o melhor de tudo é poder vivenciar esse passado através das atrações.

Os templos Megalíticos de Malta são as estruturas de pedras mais antigas e bem conservadas do mundo. Até mais que as pirâmides do Egito e as enigmáticas pedras de Stonehenge. Tão bem conservados, servem como imã para os amantes da história. (A Aline do blog Contando Destinos escreveu sobre os templos Megalíticos de Malta)

Se prefere algo mais antigo, também pode encontrar: Hipogeu. Uma necrópole subterrânea de 4.000 a.C formada em três níveis distintos. Calcula-se que existem cerca de 7.000 corpos enterrados no local. O local que é um Patrimônio Histórico da Humanidade foi restaurado pela UNESCO e para melhor preservação do local existe um limite de 10 pessoas por grupo no local. Com isso recomenda-se comprar os tickets com uma antecedência de dois meses através do site Heritage Malta e caso você não tenha esse tempo de antecedência. É possível tentar os ingressos last minutes que podem ser adquiridos tanto no local, como em Valletta, no Museu Nacional de Arqueologia.

Acredita-se que essas foram obras dos neolíticos, embora eles não saibam exatamente a função dos templos.

História de Malta

Foram-se os neolíticos, chegaram os Fenícios. Sua localização estratégica, entre Europa e África foi o principal motivo de tantos povos terem passado por lá. A dificuldade de passar muito tempo em alto mar naquela época (800 a.C a 480 a.C) fazia com que este povo fizesse de Malta um ponto de parada entre um continente e outro. Inclusivo os Fenícios nomearam Malta como Malat, que significa: refúgio.

Grandes navegadores que eram os fenícios, deixaram seu legado até hoje em terras maltesas. Os olhos pintados, cada um de um lado, na proa do barco, permitia que as embarcações olhassem a rota que estavam seguindo. Além disso era uma maneira impor medo aos inimigos que se aproximavam.

História de Malta
Olhos Fenícios em Malta

Não tardou muito chegaram os Gregos. Em seguida os Cartagineses até que os Romanos se apoderaram da região dando a condição de cidade livre. Foram mais de 500 anos de poder, momento em que o país prosperou com a produção de azeitona, trigo, mel e uva. Produtos que até hoje fazem parte da culinária maltesa. Sim, Malta vem ganhando destaque pouco a pouco pela produção de seus vinhos.

Malta foi mencionada na Bíblia: local que o apóstolo Pedro teria sido resgatado do seu naufrágio em uma das viagens a Roma. O apóstolo teria vivido por algum tempo em Malta e seria ele o responsável por converter os habitantes da ilha no cristianismo. Malta é o país mais católico do mundo e conta com mais de 365 igrejas. Ou seja, se gosta de apreciar templos religiosos Malta é um prato cheio.

98% da população do país é católica.

História de Malta
Mapa de Malta

Quando os muçulmanos invadiram a Sicília ,em 827, bastou apenas um ano para chegarem até Malta e ocupar o local. Após os muçulmanos, foram sucessões de conquistas, passando pelos Normandos, Aragoneses e por fim os Espanhóis, império do Carlos V. Na época (1530) a maior ameaça para a Península Ibérica era o Império Otomano, que crescia de maneira muito rápida.

Mais uma vez Malta estava em uma posição desfavorável e era a ilha que separava o Ocidente do Oriente. A fim de proteger seu império, Carlos I enviou os Cavaleiros de São João.

Quem foram os Cavaleiros de São João?

Vamos escutar falar muito deles em Malta e por isso vamos deixar muito claro quem são eles e qual foi o papel deles na história do país.

A Ordem de São João, foi fundada no século XI na Palestina durante as cruzadas e veio a se tornar uma ordem militar. A origem se deu quando fundaram em Jerusalém (1070) um hospital para os peregrinos, que eram atendidos pelos monges. Em 1113 foi elevado pelo Vaticano como uma ordem religiosa independente.

Foi então que instalaram mais hospitais na rota de peregrinação entre Itália e a Terra Santa. Vivendo de doação dos que passavam por lá. Passaram a ser um exército e logo a força naval mais forte da Idade Média.

A Ordem de São João contou com algumas divisões políticas. Que correspondem basicamente pelas províncias que usavam essa ordem religiosa. Uma delas foi o Império Espanhol, na época dirigida pelo imperador Carlos I. Foi então quando parte dos cavaleiros de São João solicitaram para Carlos I uma terra fixa e em 1530 o imperador cedeu a Ilha de Malta e Gozo em troca de proteção de toda a Península Ibérica. Já que Malta ocupava uma posição chave no cruzamento de caminhos entre Oriente e Ocidente

As fortalezas de Malta

História de MaltaOs cavaleiros trataram logo de começar a criar suas defesas e fortificações. Se estabeleceram em Birgu (atual Vittoriosa). Construíram o forte de São Miguel (atual cidade de Senglea) e o Forte de St. Elmo.

Os três juntos foram de uma importância crucial para o resultado do Grande Cerco (1565), quando os Cavaleiros derrotaram os Turcos. Foi em 8 de Setembro de 1565 que os Cavaleiros derrotaram os turcos e por isso é comemorado o dia da Vitória, um dos dias mais importantes para os malteses.

Após o Grande Cerco, os cavaleiros passaram a ser aclamados como os salvadores da Europa! Monarcas agradecidos passaram a enviar dinheiro e assim começou a construção de Valletta, a primeira cidade planejada da Europa.

Na época, até mesmo o papa enviou um engenheiro militar para construção de novas defensivas, assim como artistas Italianos para a construção de igrejas, capelas e Palácios. Entre todas estas construções a principal delas foi a Co-Catedral de São João.

Valletta a cidade construída por Cavaleiros para Cavaleiros. 

Em 1798 Napoleão Bonaparte chegou em Malta. A frente da Armada Francesa a caminho do Egito para lutar contra a influência britânica no Mar Mediterrâneo. Os franceses desembarcaram, tomaram a ilha mas permaneceram por  poucos dias até seguir para o destino final. Mas, levaram junto dinheiro, pinturas e tapetes. Que acabaram no fundo do mar quando a Armada Britânica derrotou a frota francesa.

Em 1800 a Grã Bretanha tomou o poder da Ilha, e foi só em 1814 que Malta recebeu o reconhecimento como Colônia Britânica.

O arquipélago se tornou uma importante base naval para a Grã Bretanha. Durante a I Guerra Mundial funcionou como hospital militar e durante a II Guerra Mundial Malta se converteu em um porta aviões fortificado.

Malta sofreu 154 dias contínuos de bombardeios.

Em 1964 Malta conquistou sua independência. Desde a pré-história o país não era governado pelos próprios malteses.  

Em 1974 Malta se converteu em república. Em 2004 Malta passou a fazer parte da União Europeia, e em 2008 passou a adotar o Euro.

Agora você está pronto para explorar cada pedacinho de Malta! Vamos?

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