Sintra além do Palácio da Pena

Sintra

Sintra me surpreendeu, sério mesmo! Não, não estou falando do Palácio da Pena. Ah, mas ele também é lindo, estou falando de lugares como: Quinta da Regaleira, da Piriquita, a queijadinha da Sapa e também pelo Palácio de Sintra.

Como eu poderia me esquecer, em Sintra tive um jantar maravilhoso em comemoração a minhas bodas de flores (4 anos de casada).

Mas no fundo, não sei se eu gostei de tudo em Sintra. Se eu gostei mais da Quinta, ou se na verdade estou falando tudo isso porque eu fiquei com dó dela. Poxa, todo mundo ignora a cidade. Sintra é sempre um bate-volta de Lisboa, sempre a passagem entre o Porto e Lisboa ou é sempre o destino que divide a atenção com Cabo da Roca. Não é para ter dó? Sempre em segundo plano!

Anota aí: Ir para Sintra porque a cidade é repleta de boa atrações e não porque ela está no caminho!

Surpreendida fiquei mesmo ao iniciar minhas pesquisas sobre a cidade no instagram. Você não pesquisa destinos pelo Instagram? Tá perdendo tempo, fica a dica de uma rica fonte de fotos sem photoshop.

Encontrei a Quinta da Regaleira (nunca tinha ouvido falar), aprofundei a pesquisa – #quintadaregaleira – e descobri uma preciosidade  de Sintra, não descobri muita coisa na verdade, porque o local é meio misterioso. Misterioso mesmo!

Ao pegar o mapa do local, me surpreendi com as indicações subterrâneas, poços que entram por cima e saem por baixo da terra, cavernas, lagos verdes. Meu Deus que loucura!

Sintra
Sintra – Quinta da Regaleira

Primeiro poço, cheguei por cima. Desci por uma escadaria em formato caracol. Um lugar escuro e gelado, era um poço de pedras. Cheguei ao final, entrei nos túneis subterrâneos, sem enxergar absolutamente nada, meu marido falava: “anda, anda, segue o fluxo”.

Leia também: Gruta da Moeda – Portugal

Meu Deus, que fluxo? Eu não enxergava n-a-d-a. Mas escutava, o som da água. Como se fosse uma cachoeira. Como uma cega, agucei meus sentidos da audição (o medo a essa altura também tinha tomado conta de mim). Segui o som e cheguei exatamente onde eu queria, exatamente ao local que me fez querer conhecer a Quinta: o lago verde!

Sintra
Sintra – Quinta da Regaleira

A cachoeira caia direto nesse lago. Foi a força da água desta cachoeira que revelou o mistério do lago verde, que mais parece um tapete felpudo esverdeado. Aquilo tudo era musgo e eu quase coloquei o pé para ver qualé que é daquilo tudo, mas a água caia e estragava aquele pequeno pedaço do tapete.

Uma vez nesse espaço, é notável a cara de curiosidade de todos que vão chegando buscando um espaço para olhar aquele curioso local. O olhar dos adultos apenas tentam entender, algumas mulheres com olhar de nojo e as crianças sempre com um sorriso no rosto pela nova descoberta.

Sei lá se lá havia um monstro, jacaré ou qualquer outro bicho. Só sei que o meu sexto sentido dizia para eu sair da caverna e seguir meu rumo em busca da luz do sol, foi exatamente o que fiz. Mas não sem antes atravessar o tapete verde sentindo a adrenalina de escorregar e cair naquela nhaca. Muito provável que seja seguro, o parque não iria se submeter a tanto risco. 😉

Leia mais: Mosteiro de Batalha

Sintra
Sintra – Quinta da Regaleira

A Quinta está repleta de atrações, que vão das grutas ao castelo. Mas não teve jeito, me encantei pelo tapete felpudo e pelos poços.

Sintra
Sintra – Quinta da Regaleira

Sai do verde do bosque e do limbo, direto para o vermelho e amarelo do Palácio da Pena.

A culpa de Sintra ser uma cidade de segundo plano é culpa desse Palácio, onde todos acham que só ele importante na cidade. Ele não podia roubar toda a cena da cidade, foi egoísta sim e por isso vou falar a verdade – Ele é MUITO mais bonito por fora do que por dentro.

Leia também: Uma viagem gastronômica por Lisboa

Mas talvez, ele seja egoísta com o resto da cidade pelo fato de estar tão sozinho no alto da montanha e se sentir um tanto quanto solitário.

Sintra
Sintra – Palácio da Pena

Para chegar até lá, é necessário muita caminhada ou planejamento de contratar um tour, tuck tuck, ônibus, carro ou qualquer meio de transporte que você encontrar que te leve até o topo. Estávamos de carro e lá fomos nós na sinuosa estrada que rodeia uma da montanhas de Sintra.

Aos pés do Palácio, estacionamos o carro e caminhamos mais um pouco. O dia já estava caindo, o frio do alto da montanha já estava dando as caras e o cansaço de mais um dia de viagem já estava batendo. Ao comprar o ticket para entrar no parque do Palácio da Pena, compramos também o transporte que nos levaria até o destino final. A cada 15 minutos, um micro-ônibus pega os turistas preguiçosos, os senhores e aqueles com mais dificuldade para a subida. Eu me encaixava perfeitamente no primeiro tipo.

Para quem tem vertigem, recomendo subir a pé! O mini ônibus, que parece de brinquedo, transporta os turistas todos abarrotados, sentados e em pé. Com um certo receio ele vai contornando as montanhas que parecem estar no topo do mundo, sem guard rail ou proteção alguma, parece que vamos rolar ladeira abaixo. Porém, a cada nova curva vamos descobrindo uma Sintra vista de cima, que em um dia bonito se enxerga toda a cidade e até o mesmo o mar no horizonte.

Ufa, finalmente chegamos! Agora sim, aos pés do Palácio. Neste momento não é mais possível enxergar o todo, apenas pedacinhos e o todo nós vamos descobrir com o nosso tour.

Sintra
Sintra

O que lá de baixo parecia vermelho e amarelo, descobrimos que o azul também é responsável por dar cor ao Patrimônio da UNESCO.

Leia também: Óbidos: a queridinha dos turistas!

Sintra
Sintra – Palácio da Pena

E se a Quinta da Regaleira era misteriosa com as suas passagens subterrâneas, aqui no Palácio, o mistério fica por conta do estilo arquitetônico. Eles estão todos a vista, mas só um bom arquiteto ou um entusiasta da área para compreender. E é exatamente essa mistura de estilos que fascina os olhos. Neogótico, neomanuelino, neo-islâmico, neo-renascentista, mourisca, entre outros que são encontradas em diversos pedacinhos do Palácio.

Sintra
Sintra

Entre os lustres, louças, vitrais e móveis da época, vamos pouco a pouco compreender a história do local. Entre um aposento e outro, entendemos quanto luxo e ostentação existia no passado para alguns. Entre uma varanda e outra, vemos o motivo do Rei D.Fernando e D. Maria II quererem morar ali. Até eu que sou mais boba iria desejar isso. 😉

Hora de voltar. O frio apertou e lá fomos nós aguardar o nosso meio de transporte. A essa altura não poderia mais ser os pés e sim as rodas (ufa, grande invenção). Fui preguiçosa sim, mas recomendo que você não siga os meus passos (ou o meu trajeto), descer pelo parque e atravessar parte dos jardins do palácio faz parte do passeio e imagino que seja tão bonito quanto o próprio palácio.

A noite nos reservava um jantar em comemoração do nosso aniversário de casamento. Confesso que com essa data, sou muito chata. Sem muito sucesso com as indicações de restaurantes para essa ocasião, resolvemos andar pela cidade e acho que o santo casamenteiro nos ajudou.

Leia também: Nem só do Azul vivem os azulejos do Porto

Taberna Criativa foi a nossa escolha. Olhamos, gostamos e arriscamos. A decoração fica por conta do próprio estoque de vinhos da casa, que estão espalhados por toda a parede dentro, ou sobre caixas de madeira da própria vinícola. Cheguei acreditar que o marido tivesse feito uma surpresa e tivesse fechado o restaurante só para nós dois, mas foi só achismo e sorte mesmo.

O atendimento sugeria que o garçom soubesse que aquela data era de extrema importância por nós. Mas claro que ele não sabia, era simplesmente o excelente atendimento local. O espaço não tinha mais do que 15 mesas, a cozinha era aberta e escolhemos um local estratégico para os olhos de quem é fã do MasterChef pudesse acompanhar os passos da elaboração dos nossos pratos.

Entre a minha sopa de cebola, a salada de pato do Chris e nosso Javali com purê de maçã, (combinamos até nisso, o mesmo prato rs) o preferido da noite ficou mesmo por conta da sobremesa – um rolinho de pastel de nata com sorvete de baunilha. Não que os outros estivessem ruim, longe disso. Tudo foi nota 10, mas a sobremesa foi nota 20!

No dia seguinte, acordamos cedo para fugir das excursões que chegam com os turistas que acham que Sintra é um destino de bate-volta. Não queria encontrá-los, eu poderia falar umas verdades para eles.

Leia também: Região do Douro

Sintra
Sintra – Palácio Nacional de Sintra

Assim que abriram as portas do Palácio Nacional de Sintra, nós entramos. Vazio, tivemos tempo de percorrer todos os aposentos. Com tranquilidade, tivemos a oportunidade de olhar todos os detalhes que são muitos. Lustres, vitrais e louças chamam a atenção. Eu que sou fã do estilo mourisco me deliciei, afinal a história do Palácio começa na época do domínio muçulmano na Península Ibérica. Os arcos que definem as formas das portas e janelas, os azulejos geométricos e coloridos que decoram as paredes, me deixaram encantada pelo local e me fez ficar na dúvida.

Qual seria o mais bonito: Palácio da Pena ou Palácio Nacional de Sintra? Mas a verdade é, porque eu teria que escolher um? Não tenho!

Ainda dentro do Palácio Nacional, uma sala em específico me chamou muito atenção. A sala dos Brasões. Um sala revestida por eles, por azulejos portugueses! No teto mais 72 brasões pintados dando referência as famílias nobres do país. Tudo obviamente feito a mando do Rei D. Manuel II (que reinou de 1495 a 1521).

Sintra
Sintra – Palácio Nacional de Sintra

O bacana é que para nós, brasileiro, muitos dos nomes ali estampados são comuns. Se você é descendente português, pode encontrar o seu sobrenome na parede do Palácio Nacional de Sintra. Chique não?

Não sou descendente de português, não encontrei o meu sobrenome, mas me lembrei de muitos amigos.

Leia também: Aveiro – Portugal

Finalizamos a nossa passagem por Sintra da maneira como tem que ser: comendo o doce típico da cidade. Se você estava curioso para saber o que significa a piriquita no início do post, aqui vai.

Piriquita é o local onde vende o mais famoso travesseiro de Sintra, então era lá que provaríamos. Chegando lá a pergunta: Qual vocês querem? Tradicional, de maçã ou de nutella? Isso foi golpe baixo! Pedi um de maçã que na primeira mordida me lembrou muito um apfelstrudel, já que o travesseiro também é feito com massa folhada.

Sintra
Sintra – travesseiro de Sintra

Não fiquei contente com isso, não estava na Alemanha, estava em Portugal e meu combinado era provar todos os doces das cidades que eu passasse. “Por favor moço, vê mais um, agora um tradicional”. Juro que nada disso foi estratégia para provar os dois, coisas do acaso. O tradicional trata-se de um creme de confeiteiro. Os portugueses que me perdoem, mas o apfelstrudel português estava mais gostoso. O de nutella? Ah, esse eu não provei! Mas tem como ser ruim?

No caminho para o hotel, a última parada e as últimas calorias que Sintra iria me proporcionar: Queijada da Sapa – As verdadeiras queijadas de Sintra! Também tive que deixar para mais tarde. A sua massa crocante, um creme a base de queijo e ovo foi a minha sobremesa no hotel já no próximo destino. Foi bom relembrar de Sintra a cada mordida e refletir mais uma vez sobre a súbita passagem dos turistas pela cidade.

Leia também: Évora, a cidade da Capela dos Ossos

Sintra
Sintra – Queijada da Sapa

É uma pena! Ainda que eu tenha passado um dia e meio na cidade, descobri que a cidade poderia me oferecer um pouco mais. Como um prêmio de consolação por estar indo embora e deixando algumas coisas para trás, segui meu caminho rumo ao próximo destino pela costa de Sintra. Por indicação do pessoal do hotel, fomos até a Praia Azenhas do Mar, foi uma bela despedida e um belo início do que vinha pela frente Cabo da Roca e Garganta do Diabo.

Sintra
Praia Azenhas do Mar

7 comments

  1. Ah… Eu também adorei visitar a Quinta da Regaleira. Já estava em minha lista quando estive em Sintra, mas na categoria: se der tempo. Por isso te agradeço, Maytê por ter me dado a dica do quão legal é esse lugar! 🙂

    Ai, que saudade dos travesseiros!!!! Queria uns muitos agora mesmo!! 🙂 beijocas

  2. Sabe que eu fui para Sintra por causa da Quinta? Tudo por causa de um livro que li que falava sobre o mistério da nacionalidade de Cristovao Colombo (Codex 632, José Rodrigues dos Santos). .
    Em uma das passagens, para descobrir se Colombo era italiano, ele precisou entrar nesta Quinta e começou a descrever todos os mistérios e alegorias e eu fiquei curiosa.
    Por isso, coloquei Sintra em minha rota e me hospedei praticamente do lado dela (rsrsrs)

    Para meu azar, chovia e pouco pude curtir. O bom é que compramos o bilhete com o guia e a pessoa que nos fez a guia foi o responsàvel pela revisão tècnica daquele trecho do livro.
    😉
    Diria que comprar o bilhete com o guia é fantàstico, mas ir em um dia de chuva, não tanto!

      1. Pois é! Enquanto eu lia o tal livro, là estava eu caçando fotos na internet para entender melhor. Mas nada se compara com a visita ao lugar!
        Ainda bem que você foi!
        😉

Deixe uma resposta